Poiares Maduro alerta Marcelo que estabilidade política atual é “artificial e paralisante”

Em entrevista ao jornal “Nascer do Sol”, o antigo ministro-adjunto no Governo de Pedro Passos Coelho contesta a obsessão do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a estabilidade política e diz que essa estabilidade é “artificial e paralisante” e não permite avançar com as reformas estruturais necessárias ao desenvolvimento do país.

Cristina Bernardo

O antigo ministro-adjunto no Governo de Pedro Passos Coelho, Miguel Poiares Maduro, considera que a obsessão com a estabilidade política “de pouco serve” ao país. Num recado enviado ao Presidente da República, Miguel Poiares Maduro alerta que a estabilidade política é “artificial e paralisante” e não permite avançar com as reformas estruturais necessárias para o desenvolvimento de Portugal.

“De pouco nos serve esta estabilidade política em que temos vivido. É artificial e paralisante do país, preserva o status quo e não promove as reformas de que precisamos”, defende Miguel Poiares Maduro, numa entrevista ao jornal “Nascer do Sol”. “Haverá um momento em que nos teremos de questionar até que ponto a obsessão com a estabilidade política é produtiva para o país”.

Miguel Poiares Maduro acusa o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de estar a dar “prioridade absoluta” à estabilidade política, mesmo que isso “tenha implicado agravar a cultura política que ele próprio critica nos seus discursos” e permita ao Governo “reduzir os instrumentos de escrutínio independente da sua ação e aumentar o seu controlo sobre a máquina do Estado”.

O antigo ministro de Pedro Passos Coelho, que é professor universitário em Itália, entende que a vantagem normalmente atribuída à estabilidade política é “a autoridade e continuidade que fornece a um Governo para poder implementar as reformas eficazes”, mas alerta que o atual Governo é de gestão política de curto prazo e as instituições públicas nacionais “têm insuficiente independência e qualificação para conseguirem contrariar essa captura da política pelo curto prazo”.

Pede, por isso, Marcelo Rebelo de Sousa a ser mais exigente com o Governo no segundo mandato. “[Marcelo Rebelo de Sousa] terá de ter consciência de que a estabilidade política a qualquer custo, nomeadamente com coligações meramente oportunísticas e artificiais, não oferecerá ao país a transformação económica e social que o próprio Presidente já reconheceu ser fundamental”, argumenta.

Na mesma entrevista, Miguel Poiares Maduro critica a “falta de ambição” do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que se encontra desde a passada terça-feira em discussão pública, e rejeita pronunciar-se sobre um eventual regresso de Pedro Passos Coelho à política. “Neste momento, a atual liderança do PSD tem toda a legitimidade de prosseguir a sua estratégia e todos, concordando ou não com ela, devem respeitar essa legitimidade”, frisa.

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