90% das empresas de turismo e hotelaria em Portugal dizem estar a ser fortemente afetadas pela pandemia

Se em maio, os ‘lay-off’ foram uma das medidas mais comuns tomada pelas empresas portuguesas, esta medida viu-se superada pelos despedimentos nos últimos meses, reduzindo-se ligeiramente a percentagem de ‘lay-offs’ de 30% para 27% e aumentando significativamente os despedimentos de 8% a 16% nos últimos seis meses”, segundo o estudo da Turijobs.

A necessidade de investimento em tecnologia e a necessidade de combater a fuga de talentos serão essenciais para recuperar da crise provocada pela pandemia da Covid-19 para os empresários do setor do turismo e da hotelaria na Europa, de acordo com as principais conclusões de um estudo elaborado pela Turijobs, um portal de emprego que reclama a liderança nestes setores.

Este estudo analisa a situação atual do setor turístico e hoteleiro a nível europeu e compara a evolução do impacto da Covid-19 na indústria, em comparação com a situação há meio ano.

Segundo os responsáveis da Turijobs, entre algumas conclusões deste estudo, “destaca-se o investimento na tecnologia e a retenção de talento como pontos chave no processo de recuperação do setor, perante um cenário que se considera que vai inclusivamente piorar nos próximos três meses”.

“Após a análise de mais de 5.127 respostas, destaca-se o forte impacto que a Covid-19 continua a ter no setor, e a fuga de talento e a previsão de uma recuperação muito lenta apresentam-se como os principais desafios que o setor enfrenta”, salienta um comunicado da Turijobs, acrescentando que “o setor turístico e hoteleiro continua a ser dos mais afetados pelas medidas contra a Covid-19”.

De acordo com esta nota, “o setor continua a ser severamente prejudicado devido às medidas impostas pelo Governo para travar a propagação do vírus, as quais tiveram um impacto direto nos negócios turísticos e hoteleiros a nível global”, sendo que, “em Portugal, 90% das empresas afirmam que continuam a ser fortemente afetadas pela Covid-19”.

“As empresas impactadas continuam a tomar as medidas necessárias para poder manter os seus negócios em funcionamento neste período de incertezas. Se em maio, os ‘lay-off’ foram uma das medidas mais comuns tomada pelas empresas portuguesas, esta medida viu-se superada pelos despedimentos nos últimos meses, reduzindo-se ligeiramente a percentagem de ‘lay-offs’ de 30% para 27% e aumentando significativamente os despedimentos de 8% a 16% nos últimos seis meses”, adianta o referido comunicado.

Para os responsáveis da Turijobs, “evidentemente, a redução de atividade provocou não só um aumento dos ‘lay-offs’, mas também levou a uma menor necessidade de novos profissionais, pelo que a segunda medida mais aplicada foi a estagnação dos processos de seleção, por parte de 20% das empresas em comparação com 11%, em maio”.

“Destas, 37% garantem não ter previsto fazer contratações nos próximos seis meses e 27% não preveem sequer fazer contratações num futuro próximo”, apurando-se que dos entrevistados, “só 8% estão atualmente a realizar contratações”.

A Turijobs resslava que, “a nível europeu, há um panorama ligeiramente mais optimista, com 30% das empresas na Suiça a ponderar realizar contratações nos próximos três meses, seguidos da Áustria com 28% e Alemanha em terceiro lugar com 15%”.

“A situação poderá piorar, mas as empresas portuguesas são optimistas no que diz respeito ao ritmo da recuperação”, acrescenta o comu8nicado da Turijobs.

No entanto, “olhando para o futuro, parece que o pior ainda está por chegar, com 39% das empresas portuguesas a afirmar que nos próximos três meses a situação vai inclusivamente ficar pior de forma significativa”.

“Porém, são optimistas a médio-longo prazo, com 33% dos entrevistados a considerar que a situação voltará a ser igual a antes dentro de somente meio ano e 36% que daqui a um ano o cenário começará a ser melhor que antes da crise sanitária”, assinala o comunicado em questão.

A Turijobs avança ainda que, “se comparamos a percepção da situação com outros países europeus, observamos que noutras regiões são mais negativos no que diz respeito à recuperação do setor, com países como Espanha, com 36%, e França, com 29%, que consideram que dentro de um ano a situação continuará pior do que antes da crise sanitária, e que para que se encontre melhor teremos que esperar ainda mais”.

Segundo este estudo, a tecnologia é considerada uma peça chave para o futuro do setor, mas recebe um investimento escasso.

“83% dos negócios procuraram alternativas e novos modelos para gerar receitas nesta época de crise, sendo uma das mais adoptadas, por parte de 36% dos entrevistados, a implementação de tarifas especiais para certos segmentos de mercado (por exemplo menús especiais, diferentes ‘packs’ para clientes), seguida da oferta de ‘vouchers’ para futuras estadias ou serviços, medida adoptada por 27% das empresas”, explica o comunicado da Turijobs, adiantando que “ainda que 66% dos entrevistados afirmem que a tecnologia está a ser crucial para a redefinição dos trabalhos, das empresas e dos modelos de negócio, somente 5% investiram nela durante este período”.

Por seu turno, o desemprego aumenta no setor e o talento procura alternativas fora da indústria.

“Segundo os resultados do questionário, praticamente 50% dos candidatos está atualmente sem trabalhar. Perante estas circunstâncias, e vendo as perspetivas de futuro que têm os negócios, 63% estão ativamente à procura de trabalho, um quinto dos mesmos fora da indústria e 28% afirma que considerará sair da mesma no futuro”, adianta o comunicado em análise.

“Ainda assim, os profissionais são realistas e sabem que a situação é complicada, com 39% dos entrevistados sem muita confiança nem certezas sobre quando conseguirão encontrar esse novo emprego”, conclui o comunicado da Turijobs.

A Turijobs reclama ser o portal de emprego especializado em turismo e hotelaria líder em Espanha, dizendo que  funciona como ponto de encontro entre o talento e as empresas de referência da indústria.

Tem uma presença internacional em Portugal, Espanha, Itália e México. Para além disso, faz parte do grupo HotelCareer by Stepstone, com quem diz formar a maior plataforma europeia de emprego em turismo e hotelaria, reunindo mais de 3,8 milhões de talentos.

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