A competência é a mola de afirmação dos não executivos

Num regime recomendatório como aquele com que as sociedades têm que se confrontar, o Instituto Português de Corporate Governance assume a firme e crescente convicção de que o papel dos administradores não executivos é um elemento decisivo na qualidade e eficácia dos sistemas de governo societário.

Ele vive ainda hoje uma grave crise de identidade, como o comprovam as disfunções ocorridas em tempos recentes em alguns sectores do tecido económico, tanto a nível global, como entre nós. Aos membros não executivos dos órgãos de administração e fiscalização estão cometidas missões de elevada responsabilidade, com contributos decisivos para a qualidade do corporate governance e fortes impactos no nível de investimento, no crescimento da produtividade, na dinâmica dos processos de negócio e na estabilidade financeira. E que fique claro que a adoção das boas práticas é transversal a todo o tecido empresarial, migrando das grandes sociedades cotadas para as demais empresas, sejam grupos de raiz familiar, sejam PME, pelo que neste contexto, tudo o que possa fazer-se para contribuir para a credibilização do sistema deve ser prosseguido. Ora, é com este propósito que o IPCG vem implementando diversas iniciativas na área da formação, de que a 4.ª edição do Programa Avançado para Administradores não Executivos, que arranca no próximo dia 15 de março, é um exemplo esclarecedor. Refira-se, a propósito, que as três edições anuais anteriores já permitiram acolher e transmitir estes princípios a cerca de oitenta membros atuais ou futuros de órgãos sociais de empresas, sendo de destacar que 87% classificaram estas iniciativas formativas como “excelentes” ou “muito boas”.
São três os grandes objetivos que esta iniciativa se propõe atingir, a saber: a) dotar os atuais e futuros administradores não executivos das ferramentas teóricas e conhecimentos que lhe permitam executar, com eficiência e responsabilidade, as suas funções; b) revisitar um conjunto alargado de conceitos teóricos e aplicacionais, ligados à gestão de grandes organizações empresariais, úteis para a actividade corrente dos administradores não executivos; c) explicitar a importância e o conjunto de responsabilidades associadas à participação dos administradores não executivos nas comissões especializadas que integram os conselhos de administração.
Com este quadro de referência, procura o Instituto Português de Corporate Governance reforçar a tese de que a afirmação dos administradores não executivos deve ser feita pela via da competência, do conhecimento e da responsabilidade, de modo a que a sua presença nos conselhos de administração se paute por uma reconhecida mais-valia para a empresa. E através de que comportamentos? Participando ativa e tecnicamente de forma consistente nos debates dos temas em agenda; colaborando nas comissões especializadas que se constituam; assumindo as suas responsabilidades nas atividades de supervisão.
Com este espirito e disponibilidade cresce a confiança da generalidade dos stakeholders, se salvaguardam os interesses coletivos e, da verificação das boas práticas de corporate governance, se estimulam as decisões de investimento.

 

Manuel Maria Agria, Vice-Presidente Executivo do IPCG.

 

 

Este artigo foi produzido em colaboração com o  IPCG.

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