A portuguesa que conquistou as maiores empresas do mundo

Daniela Braga fundou em Seattle, nos Estados Unidos, a DefinedCrowd, uma startup especializada em dados para Inteligência Artificial.

Cristina Bernardo

Uma parte do trabalho da DefinedCrowd implica analisar e catalogar dados para clientes. Em alguns casos, estas tarefas são feitas por pessoas que se inscrevem numa plataforma online da empresa e que são pagas por cada tarefa desempenhada. Tem cerca de 45 mil pessoas inscritas e o conhecimento desta ‘crowd’ é transformado num conjunto de dados altamente estruturados e desenhados. Cada pedaço de informação é validado a pente fino por uma equipa especializada em deteção de fraude. “Em três ou quatro meses injetamos memória, dados e conhecimento num computador ao nível linguístico, do conhecimento e das relações entre conceitos”, diz Daniela Braga, de 40 anos, ao Jornal Económico.

Numa era em que a inteligência artificial se está a alastrar, este é um mercado com concorrência. A EDP, a Mastercard, a Amazon e a Sony fazem parte do grupo de investidores. A IBM, a BMW, a Nikon, o Yahoo Japan e o Softbank são alguns dos principais clientes. As ligações com multinacionais são igualmente uma mais-valia. Recentemente, foi assinada uma parceria com a IBM. Com a integração do sistema da DefinedCrowd, os utilizadores da IBM Watson Studio poderão recolher, estruturar e enriquecer dados de treino diretamente da plataforma, sempre com garantia de alta qualidade. Isto é possível porque a tecnológica portuguesa criou um interface próprio para a plataforma da IBM. Além de simplificar o trabalho de programadores e cientistas de dados, reduz-se o tempo de tratamento destes mesmos dados. Estima-se que 90% dos dados gerados em todo o mundo não estejam devidamente estruturados.

Em julho deste ano, a DefinedCrowd fechou uma ronda de investimento, no valor de dez milhões de euros (o equivalente a 11,8 milhões de dólares). A liderar a ronda esteve a Evolution Equity Partners, acompanhada da Kibo, da Mastercard e da EDP Ventures. O valor foi também reforçado pela Sony, pela gestora de capital de risco pública Portugal Ventures, pelo Amazon Alexa Fund e pela Busy Angels. Em 2016, alguns destes investidores, incluindo a Portugal Ventures, já tinham participado numa ronda de investimento mais pequena, em que a empresa conseguira 1,1 milhões de dólares. O primeiro investimento foi de 200 mil dólares num almoço em Seattle. A empresa tem ainda uma linha de crédito nos Estados Unidos, que nunca foi tocada, de 1,5 milhões de dólares. Para este ano a startup tem prevista uma receita entre os quatro e os sete milhões de dólares.

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