A urgência da sustentabilidade

Estou em crer que os mercados financeiros poderão funcionar como um dos elementos propulsores para a otimização da utilização dos recursos naturais e promoção de projetos de energias limpas.

No mês em que se completam 17 anos sobre os atentados terroristas do 11 de setembro e dez anos sobre a queda do Lehman Brothers, vive-se um período propício a reflexões. É certo que importa refletir sobre os últimos anos. No entanto, é urgente atuar para melhorarmos o futuro. E já.

Esta semana, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, reiterou o alerta: “temos dois anos para lutar contra as alterações climáticas”.

A utilização crescente dos recursos naturais, a poluição do ar e dos oceanos, a desflorestação e a degradação dos solos são uma parte do problema global. Ao mesmo tempo, a dificuldade de acesso a água potável por parte da população mundial, designada por “Water Stress”, tem vindo a aumentar de forma crescente. Está previsto que, em 2020, cerca de 30% a 40% da população mundial viva em zonas de “Water Stress”.

Entretanto, a população mundial aumenta. E rapidamente. Atualmente, somos cerca de 7,5 mil milhões de habitantes. Em 2050, poderemos superar os 9,5 mil milhões. A este ritmo, no início do próximo século, seremos mais de 11 mil milhões no planeta Terra. Teremos recursos para tantos seres humanos?

É neste contexto que gostaria de destacar a temática em torno dos investimentos socialmente responsáveis, habitualmente designados por SRI (Socially Responsible Investment). Mais do que uma tendência, estou em crer que estamos perante um novo paradigma de gestão das empresas e das organizações, onde os mercados financeiros poderão funcionar como um dos elementos propulsores para a otimização da utilização dos recursos naturais e promoção de projetos de energias limpas.

Sendo o meio ambiente um dos três pilares do investimento socialmente responsável, as empresas tenderão a reforçar, de um modo progressivo, as suas atenções em projetos sustentáveis do ponto de vista ambiental, na perspetiva de continuarem a receber o apoio dos seus financiadores e o reconhecimento dos seus clientes. Tratar-se-á de um processo que visa acelerar a criação de projetos verdes que permitam a redução do carbono. A velocidade de adaptação das empresas estará dependente da amplitude e clareza do quadro legal e, não menos importante, da alteração nos hábitos dos consumidores e também dos investidores.

Em Bruxelas estão a dar-se os primeiros passos para a promoção do investimento socialmente responsável. O objetivo é canalizar recursos privados para projetos ambientais que promovam a economia verde e a utilização de energias limpas. Face às restrições orçamentais dos governos, é imperativo que os investidores particulares participem. Só na União Europeia é necessário um investimento anual adicional de 180 mil milhões de euros para atingirmos as metas do acordo de Paris, de modo a evitarmos o aumento da temperatura do planeta em mais de 2ºC até 2030. Em breve serão dados novos passos para a definição de um novo quadro legal e regulamentar nesta matéria.

O mundo está a mudar. A realidade do sistema financeiro também. Progressivamente, os analistas financeiros e os gestores de ativos tendem a revelar, nos seus processos de decisão, uma maior recetividade para incluírem critérios e indicadores de ESG (Environmental, Social e Governance) nas suas análises.

O processo de transformação para a sustentabilidade está a acelerar e o sistema financeiro poderá ser um aliado dessa mudança.

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