Acionistas não votaram proposta para retirar Lisgráfica de bolsa

A empresa revelou que tinha sido retirado o ponto cinco da ordem de trabalhos, que se referia precisamente à perda de estatuto de sociedade aberta da Lisgráfica, de acordo com a convocatória da assembleia-geral.

Os acionistas da Lisgráfica não votaram a proposta para perda de estatuto de sociedade aberta da empresa, depois de este ponto ter sido retirado da ordem de trabalhos da assembleia-geral do grupo, que se realizou esta sexta-feira.

Em comunicado, publicado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa revelou que tinha sido retirado o ponto cinco da ordem de trabalhos, que se referia precisamente à perda de estatuto de sociedade aberta da Lisgráfica, de acordo com a convocatória da assembleia-geral, visto que “não se encontravam reunidas as condições para o submeter a votação”. A empresa não publicou mais detalhes sobre esta questão.

No comunicado publicado hoje, a Lisgráfica disse que na assembleia-geral, onde esteve representado 90,35% do capital social, foram aprovadas a contas de 2020 do grupo e a proposta de aplicação de resultados (prejuízos de 2,9 milhões de euros) para resultados transitados.

Os detentores de títulos da empresa aprovaram ainda um reconhecimento ao Conselho de Administração, ao Conselho Fiscal e ao revisor oficial de contas, bem como um voto de louvor ao presidente da mesa da assembleia-geral.

Foi ainda aprovada a declaração da Comissão de Vencimentos relativa às políticas de remuneração dos órgãos de administração e fiscalização e a proposta de aquisição e alienação de ações próprias.

A Lisgráfica, empresa de impressões e artes gráficas, reduziu o seu prejuízo de 5,4 milhões de euros em 2019 para cerca de três milhões de euros em 2020, foi comunicado ao mercado em 30 de abril.

Segundo a informação enviada à CMVM, em 2020, o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) do grupo ascendeu a 291.000 euros, excluindo proveitos e custos não recorrentes, ou seja, mais 8% do que no período homólogo.

Por sua vez, o resultado operacional foi negativo em aproximadamente 1,9 milhões de euros, quando, no ano anterior, foi de 4,8 milhões de euros negativos.

“Para 2021, devido à continuidade dos impactos da crise gerada pela covid-19, em especial no primeiro semestre em que o país volta à fase de confinamento, prevê-se uma recuperação ligeira entre os 3% e 4%”, antecipou.

No documento, a Lisgráfica garantiu ainda que o plano de recuperação, aprovado pelos credores em novembro de 2018, tem estado a ser cumprido.

Assim, a administração acredita que, “apesar da casa mãe apresentar capitais próprios negativos”, as medidas tomadas para mitigar o impacto da crise gerada pela pandemia de covid-19 vão permitir à empresa “voltar a resultados correntes e resultados operacionais positivos e assegurar, em simultâneo, o serviço da dívida no âmbito do plano de recuperação”.

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