Considerando que o setor ferroviário enfrenta atualmente um “período de crescente declínio”, a ADFERSIT – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário e Sistemas Integrados de Transporte, vem agora a público tomar uma posição e alertar para a “ameaça à sobrevivência” da CP – Comboios de Portugal, apelando “à lucidez, coragem e bom senso no sentido de ser invertida esta trajetória de destruição do património de serviço, conhecimento e experiência de uma empresa como a CP”.
Em comunicado, a associação reconhece que o atraso na eletrificação de grande parte da rede ferroviária nacional e a deterioração da sua infraestrutura “em muito contribuíram para a degradação dos serviços diários”, contudo, explica a atual situação através da “ausência de qualquer tipo de estratégia, e mais grave, de planeamento para a empresa pública incumbente num setor competitivo, ao nível europeu, como é o ferroviário”.
A ADFERSIT acrescenta ainda, como justificações, “a navegação à vista”, dos últimos 25 anos, durante os quais as sucessivas tutelas, “teimaram em privilegiar a ausência de pensamento estratégico e capacidade de gestão das diversas estruturas existentes” sem acautelar as consequências para a CP dos vários pacotes ferroviários europeus que impunham um esforço de modernização e reestrutuação das suas infraestruturas.
Diante deste cenário, a ADFERSIT defende que “mais do que acompanhar a despudorada campanha pública de descredibilização da CP”, urge traçar um plano de ação imediato que “no quadro de elaboração do Plano 2030, permita mitigar esta situação que ameaça agravar-se até ao final de 2018”. Atendendo à “previsível chegada de novos operadores”, a associação espera ainda que tal não se traduza no fim da empresa mas sim no início da estabilização do seu funcionamento, “dotando-a de um orçamento que seja ‘a fazer de conta'”, e que seja autorizado o investimento em material circulante, repondo, assim, a capacidade operacional da CP.
