Administração de dona do Minipreço não fecha a porta à OPA mas impõe condições

O conselho de administração da retalhista espanhola DIA fez uma primeira análise à OPA lançada pelo fundo Letterone, controlado pelo russo Mikhail Fridman.

Após uma reunião na quarta-feira, o conselho de administração da retalhista espanhola DIA veio a público reagir à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo fundo Letterone. Numa primeira análise, os administradores não consideram a OPA hostil, mas impõem várias condições.

O fundo Letterone, controlado pelo russo Mikhail Fridman, que detem 29% do capital da empresa, anunciou esta semana uma OPA sobre o DIA oferecendo 67 cêntimos por cada ação, menos cinco cêntimos face ao valor da ação na sessão desta quinta-feira na bolsa de Madrid.

Na comunicado divulgado ao mercado na noite de quarta-feira, a administração começa por considerar que o anúncio da OPA “prova a atratividade do negócio da companhia”. Depois,  destaca a “sintonia entre o plano de transformação de seis pilares do oferente para a companhia e o plano estratégico do DIA, que reflete o esforço conjunto da gestão do grupo e da administração”.

Mas o conselho de administração do DIA tem dúvidas sobre vários pontos. Sobre o prometido aumento de capital de 500 milhões pela Letterone, após a conclusão da OPA, o DIA diz que “como está estruturado, [o aumento de capital] não providencia certezas sobre a sua real implementação ou timing, nem leva em conta as obrigações com os seus credores e as sua divída com maturidade de curto prazo”.

Nesse sentido, destacam que o “oferente reconhece que este aumento de capital está sujeito ao alcançar de um acordo com os credores da empresa que sejam satisfatórios para o oferente, o que cria mais incerteza”. Desta forma, a administração declara-se “disposta a explorar com o oferente a possibilidade para adaptar os termos da oferta de forma a endereçar estas questões”.

O DIA informou também que os bancos credores comunicaram o seu apoio a um prolongamento da maturidade das atuais linhas de financiamento por um valor de 765 milhões de euros, até março de 2023. No entanto, este apoio está dependente da venda de ativos (a Clarel e a Max Descuento) de forma a angariar cem milhões de euros. O apoio destes bancos vai colocar o DIA “numa sólida posição financeira para executar o seu plano estratégico”.

Após esta primeira análise, o conselho de administração disse que vai divulgar a sua análise sobre a oferta, assim que a OPA for aprovada e o prospeto divulgado.

Ler mais
Recomendadas

Dona do Minipreço pode vender lojas fora de Espanha para salvar grupo

O Grupo DÍA, dono das lojas Minipreço e Clarel em Portugal, está a atravessar um período conturbado e que ameaçar a sua sobrevivência. Após ter sido lançada uma OPA, e depois da apresentação de resultados anuais desastrosos, a retalhista estuda todas as vias alternativas para salvar as suas operações. Uma reunião de acionistas está prevista dentro de um mês, onde a administração do grupo espera conseguir um balão de oxigénio. Caso isso não aconteça, as operações fora de Espanha não são imprescindíveis.

“Com tanta beleza, como não nos apaixonar?”. Mercadona ‘declara-se’ à cidade do Porto

“Finalmente juntos”. A Mercadona escolheu o Dia dos Namorados para se declarar à Cidade Invicta, a cidade escolhida para a cadeia de supermercados espanhola iniciar o processo de internacionalização.

Sonae, Carrefour e Lidl estudam lançamento de OPA sobre dona do Minipreço

A empresa espanhola foi alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) do fundo LetterOne, liderado pelo multimilionário russo Mikhail Fridman, com o objetivo de valorizar a empresa retalhista em 500 milhões de euros.
Comentários