AEP: “Alívio orçamental” deve ser partilhado com as empresas portuguesas

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) saudou hoje o “esforço de consolidação” das contas públicas previsto no Orçamento do Estado para 2019 (OE2019), mas lamentou que o “alívio orçamental” continue a não ser “partilhado com as empresas”.

A AEP (Associação Empresarial de Portugal) reagiu à proposta do Orçamento de Estado 2019 e sublinhou o facto de continuar a não ser partilhado o “alívio orçamental” com as empresas portuguesas.

”Pelo contrário, é às empresas que continuam a ser exigidos os esforços na prossecução da trajetória de crescimento económico sustentado, traçado no cenário macroeconómico ao nível das componentes do investimento e das exportações”, sustenta a AEP, acrescentando que “a taxa de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] prevista para 2019 (2,2%), apesar de permitir a convergência real com a União Europeia, fica muito aquém do necessário para que Portugal possa recuperar do atraso atualmente existente”.

Apesar de lamentar a falta de alívio orçamental das empresas, a associação saúda o esforço de consolidação das contas públicas, onde se estima ”o mais baixo défice da democracia portuguesa e uma tendência decrescente da dívida” e assinala positivamente a tendência projetada na ”melhoria no mercado de trabalho, com a manutenção da redução da taxa de desemprego”.

”O Orçamento do Estado é um importante instrumento de política económica, que deve ser usado para potenciar a competitividade das empresas” avança a nota ”tal exige que outras formas de apoio ao investimento e às exportações sejam concretizadas, apoiando os planos de investimento empresariais e o reforço da atuação das empresas nos mercados externos, com vista a alcançar a meta de 50% para a intensidade exportadora.” explica.

Como exemplo, a associação aponta a reprogramação do Portugal 2020, apoiando os planos de investimento empresariais e o reforço da atuação das empresas nos mercados externos, com vista a alcançar a meta de 50% para a intensidade exportadora.

Do ponto de vista fiscal, a AEP realça que Portugal mantém um elevado peso da carga fiscal no PIB, que desce neste Orçamento apenas uma décima, 34,6%.

No comunicado, a associação afirma não vislumbrar uma redução dos custos da envolvente empresarial, afirmando ”que pesam de forma muito significativa nas empresas, e que têm vindo a agravar-se, como é o caso dos custos energéticos.”

Esta salienta ainda que num mundo globalizado e altamente concorrencial, a existência de medidas que permitam mitigar o aumento do custo energético em Portugal ”é fundamental, em prol da capacidade competitiva das empresas”.

Salvo algumas medidas positivas de apoio dirigidas ao interior do país, a AEP revela que ”este Orçamento do Estado releva sobretudo medidas e investimento público nos grandes centros urbanos, o que se pode traduzir no acentuar das assimetrias regionais.”

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