Aeronáutica, Espaço e Defesa valem entre 1,6 e 1,8 mil milhões

Estudo da consultora EY conclui que TAP, OGMA e Embraer valem cerca de 30% deste ‘cluster’, que já emprega em Portugal cerca de 14.700 pessoas.

Em 2017, o setor português de empresas do cluster dos setores AED – Aeronáutica, Espaço e Defesa deverá ter movimentado um valor entre cerca de 1.814,7 milhões de euros e cerca de 1.630 milhões de euros, exceptuando todos os fornecedores não específicos nesta área de atividade e as empresas dedicadas à I&D – Investigação & Desenvolvimento. Esta é a principal conclusão de um estudo preliminar da consultora EY, encomendado pela AED – Associação Portuguesa para o cluster das indústrias Aeronáutica, do Espaço e de Defesa, a que o Jornal Económico teve acesso.

Os responsáveis por esta avaliação estimam que este cluster empregue cerca de 14.700 trabalhadores em território nacional. Outra das conclusões aponta para o facto de mais de 65% das receitas totais do setor serem oriundas de empresas que operam nos três níveis de atividade deste setor (Tier 1, 2 e 3): integradores de sistemas, fornecedores de peças e fornecedores de componentes. Segundo a EY, este facto demonstra o potencial do setor nacional de AED em capturar eficiências no mercado.

No entanto, a grande fatia, cerca de 1.092 milhões de euros de receitas, são oriundas de empresas que operam no segmento de defesa e aeroespacial.

Entre os grandes players nacionais deste cluster contam-se a Embraer, OGMA, Spin. Works, Efacec, Tekever, Coficab, Couro Azul, TAP – Manutenção e Engenharia, ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade, CEiiA – Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel, TNT ou Altran, por exemplo.

Deste conjunto de empresas, a TAP, a OGMA e a Embraer representam cerca de 30% do mercado nacional do cluster AED, enquanto as restantes companhias têm uma receita anual média que varia entre cerca de 900 mil euros e cerca de 10,1 milhões de euros.

Reino Unido, França e Alemanha valem quase 50% na Europa

Apesar de um rápido crescimento nos últimos anos, o cluster de AED em Portugal ainda tem muito caminho a percorrer face aos seus principais concorrentes europeus e mundiais. Segundo o estudo da consultora EY, o setor valeu cerca de 0,95 do PIB – Produto Interno Bruto nacional em 2017, o que compara favoravelmente com o nosso vizinho espanhol, cujo setor similar obteve no mesmo ano uma receita global de 10,6 mil milhões de euros, o equivalente a 0,92% do PIB espanhol. Em Itália, a percentagem deste cluster, com receitas de 12,9 mil milhões de euros no ano em apreço, para o respetivo PIB ainda foi inferior, na casa dos 0,76%. Mas, de acordo com o mesmo estudo da EY, na Alemanha, uma das grandes potências nestes setores de atividade, com receitas anuais em 2017 na casa dos 40 mil milhões de euros, a contribuição para o PIB germânico ascendeu a 1,24%. E os valores vão subindo: outro dos grandes colossos nesta indústria, o Reino Unido, com receitas globais anuais de cerca de 42,6 mil milhões de euros neste cluster, a contribuição para o respetivo PIB_foi de 1,85%. Já na França que nesta área de atividade industrial apresentou receitas globais anuais de 50,5 mil milhões de euros, o setor pesou 2,2% para o PIB final gaulês no ano de 2017.

A EY considera que o mercado europeu de AED está altamente concentrado, com as empresas de  França, Reino Unido e Alemanha a representarem quase 50% do total das receitas do setor a nível do continente.

Desde 2014, que este setor tem vindo a evidenciar um sólido crescimento na Europa a 27, passando de uma facturação global de 228,6 mil milhões de euros para uma estimativa de 274,3 mil milhões de euros no ano passado.

Nesse mesmo período, a contribuição deste setor de atividade para o PIB da Europa comunitária a 27 passou de 1,4% em 2014 para 1,7%, demonstrando uma evolução positiva constante. De referir que, devido ao processo do Brexit, estes dados específicos não incluem o Reino Unido, que é a maior potência do continente europeu no que respeita a estes setores industriais.

Neste mix, a aeronáutica respondeu por 70,5% do volume de faturação conjunta na Europa a 27. O segmento da indústria mais vocacionada para o espaço equivale a 23,6% do volume de negócios europeu deste cluster, enquanto os restantes 6% foram assegurados pelas empresas do setor da defesa.

Artigo publicado na edição nº1988, de 10 de maio do Jornal Económico

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