Agros está contra descida do preço do leite pago ao produtor e quer reverter medida

De acordo com a Agros, é “uma contradição” avançar com medidas para reduzir o volume do leite recolhido para valorizar a matéria-prima e, por outro lado, “anunciar uma descida do preço pago por litro de leite”.

O Conselho de Administração da Agros garantiu esta sexta-feira que está contra a descida do preço pago ao produtor por litro de leite e adiantou que já pediu uma reunião com a Lactogal para solicitar o retrocesso da medida.

“Fomos contra a proposta da Lactogal de redução do preço pago por litro de leite em um cêntimo. Por acreditarmos que a redução do preço […] foi uma medida tomada sem a devida ponderação das suas repercussões […] convocamos uma reunião do Conselho de Administração da Lactogal, para que seja deliberado a manutenção do preço do leite”, disse, em comunicado, a Agros.

No entanto, até ao momento, a Lactogal não deu resposta ao pedido.

De acordo com a Agros, é “uma contradição” avançar com medidas para reduzir o volume do leite recolhido para valorizar a matéria-prima e, por outro lado, “anunciar uma descida do preço pago por litro de leite”.

A união de cooperativas mostrou ainda desagrado contra os “avultados lucros” que a Lactogal teve nos últimos anos, uma vez que se trata “de uma empresa com raízes cooperativas em que o lucro não pode ser só o seu objetivo”.

A Agros disse também estar consciente dos “sacrifícios que se avizinham” e das dificuldades do setor.

“O futuro das organizações depende de as lideranças saberem enfrentar cada dificuldade como um novo desafio, encontrando as soluções de forma a conseguir sair ainda mais fortes, sendo que para esse desiderato é necessário ter em cada momento a capacidade de dar espaço àqueles que querem mais”, concluiu.

Na quinta-feira, mais de meio milhar de produtores de leite pediram a demissão da administração da Lactogal, empresa agroalimentar portuguesa, que acusam estar a prejudicar o setor que este ano já perdeu mais de 160 explorações de leite.

“Já temos contabilizadas 160 explorações que fecharam desde o dia 01 de janeiro até hoje”, avançou à Lusa Jorge Oliveira, presidente da Associação de Produtores de Leite de Portugal (APROLEP), durante a manifestação que decorreu no Porto, cidade onde está localizada a sede administrativa da Lactogal.

Por sua vez, a Lactogal disse “desconhecer as motivações” da associação de produtores de leite de Portugal que levou a convocar uma manifestação do setor do leite.

O Jornal de Notícias (JN) avançou na passada sexta-feira que a Lactogal está a pagar aos produtores para desistirem de fornecer leite.

O presidente da Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep), Jorge Oliveira, disse à Lusa, no mesmo dia, que a Lactogal baixou, em 31 de julho, em um cêntimo o valor pago por litro de leite aos produtores, pouco após ter incentivado o setor a aderir a um resgate de leite (fim do fornecimento) ou redução dos contratos.

“A Lactogal tem excesso de produção […] e optaram por incentivar a diminuição da produção em cerca de 60 milhões de litros de leite. Estas medidas foram tomadas para ajudar a que o leite que ficava [cerca de 820 milhões de litros] fosse mais valorizado”, indicou.

De acordo com Jorge Oliveira, cerca de 100 produtores aceitaram parar o fornecimento, recebendo compensações de 20 cêntimos por litro, ou diminuíndo os contratos e auferindo compensações de 15 cêntimos por litro, mantendo o preço pago ao produtor nos 31 cêntimos.

No entanto, foram “surpreendidos” com o anúncio por parte da empresa de que receberiam menos um cêntimo por litro.

Segundo o presidente da Aprolep, o excedente de produção da empresa deve-se à perda de alguns contratos em Espanha, devido a medidas defensivas como a rotulagem de origem do leite.

Face a este cenário, a Aprolep apelou à intervenção de Bruxelas para que sejam introduzidas medidas para regular a produção.

Questionado pela Lusa, à data, o Ministério da Agricultura disse estar “legalmente impedido” de interferir nas operações de gestão da Lactogal.

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