Ajudas à banca já custaram 17 mil milhões de euros aos contribuintes portugueses

Os montantes de ajudas à banca no ano passado foram os segundos maiores de sempre, apenas superados pelo registado em 2014, quando se deu a falência do Banco Espírito Santo.

Cristina Bernardo

As ajudas dos contribuintes portugueses à banca, desde 2007, já ascenderam a 17,1 mil milhões de euros, valor representa quase 9% do produto interno bruto (PIB). A sobrecarga de ajudas à banca em 2017 foi a segunda maior de sempre, apenas superada por 2014, quando se deu a falência do Banco Espírito Santo (BES), avança o jornal “Diário de Notícias”.

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na segunda-feira mostram que a operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) determinou um agravamento da necessidade de financiamento das Administrações Públicas. Esta necessidade de financiamento “extraordinária” fixou-se nos 5.709,4 milhões de euros, o que conduziu a uma subida do défice de 0,92% para 3%.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, considera que a decisão do INE, em dar razão ao gabinete europeu Eurostat e incluir a injeção de capital na CGD nas contas do défice está “errada”. “O Eurostat preconiza a recapitalização da CGD no défice, o que está errado e contraria a Comissão Europeia”, afirmou. “Foi um investimento fora do regime de ajuda de Estado”, pelo que “não tem assim impacto, porque Portugal cumpriu todas as metas com que se comprometeu”.

Até agora, 2014 foi o pior ano no que diz respeito às ajudas dos contribuintes para ao sistema financeiro. Nesse ano, as ajudas superaram 5,1 mil milhões de euros e o défice orçamental do ano disparou para 7,2% do PIB.

O terceiro ano em que os portugueses foram chamados para pagar mais à banca foi em 2010, quando o Estado decidiu intervir no Banco Português de Negócios (BPN) com 1,8 mil milhões de euros. Desde então, a fatura não parou de crescer.

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