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Alemanha vai pressionar Bruxelas a relaxar proibição de motores a combustão a partir de 2035

Após uma reunião demorada entre os líderes dos partidos da coligação na sexta-feira à noite, Merz fez saber que irá pressionar a Comissão a relaxar as regras que visavam o fim dos automóveis com motor a combustão a partir de 2035, um tópico que vinha gerando tensões internas na coligação que suporta o governo.
Bloomberg
28 Novembro 2025, 13h49

O governo alemão irá pedir à Comissão Europeia que relaxe a proibição de registar novos carros com motor a combustão a partir de 2035, uma iniciativa aplaudida pelo sector automóvel germânico, que atravessa uma profunda crise face a anos de desinvestimento e à concorrência chinesa.

Este era um tópico que vinha gerando tensões internas na coligação que suporta o governo liderado por Friedrich Merz, chanceler que fez saber esta sexta-feira que irá escrever a Bruxelas a pressionar para abandonar a iniciativa de implementar esta proibição no prazo previsto. Berlim argumenta que a legislação não só mina a segurança laboral de inúmeros trabalhadores do sector automóvel, como alerta para a provável perda de competitividade do bloco.

Após uma reunião demorada entre os líderes dos partidos da coligação na sexta-feira à noite, Merz anunciou que tinha agora um mandato válido para pedir à Comissão que reconsidere a proibição. Os sociais-democratas, que haviam apoiado a iniciativa de Bruxelas no anterior governo, cederam na sua posição, revelou o chanceler.

A proposta da Comissão passa por impedir o registo de novos veículos com emissões de dióxido de carbono a partir de 2035, o que se traduziria numa proibição efetiva da venda de novos carros com motores a combustão. A maior parte dos veículos híbridos plug-in também não cumprem as metas definidas por Bruxelas.

Os principais fabricantes automóveis alemães há muito que vêm pedindo que as autoridades europeias reconsiderem a legislação, defendendo ao invés que seja permitida a venda de motores a combustão para facilitar o investimento na mobilidade elétrica. O sector alemão tem vindo a perder quota de mercado a um ritmo assinalável para a concorrência chinesa, que domina com vantagem o segmento elétrico.

A pressão dos grupos empresariais automóveis e de alguns governos nacionais levou mesmo a Comissão a antecipar uma revisão do pacote legislativo desenhado para o sector, onde se incluía esta proposta de banir os motores a combustão, para dezembro deste ano. Com a oposição alemã cada vez mais vincada, a aprovação deste pacote parece cada vez mais difícil.

Em reação, várias organizações ambientalistas acusaram o governo alemão de ceder à pressão dos lobbyistas a favor da indústria e de uma política económica ultrapassada.

“Quem achar que pode salvar o futuro do emprego e a criação de valor na Alemanha com motores a combustão já ultrapassados está a conscientemente fechar os olhos à realidade”, afirmou Sebastian Bock, líder da filial germânica da organização não-governamental (ONG) Transportes & Ambiente. Já Christian Rohleder, presidente da ONG ambientalista VCD – Mobilidade para aas Pessoas, projeta que a iniciativa de Merz vá “prejudicar o clima e a nossa indústria ao mesmo tempo”.


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