Algarve com reservas antecipadas de toldos de praia para verão incerto

“Sempre houve reservas, mas nota-se que há uma preocupação dos portugueses em reservar o toldo antecipadamente, com medo de ficarem sem lugar no verão”, disse o dono de uma concessão na praia da Rocha Baixinha Nascente

A incerteza gerada pela pandemia de Covid-19 está a levar os veraneantes a fazerem reservas antecipadas de toldos de praia no Algarve e a procurarem os concessionários, que assumem não ter muita informação sobre a abertura da época balnear.

“Sempre houve reservas, mas nota-se que há uma preocupação dos portugueses em reservar o toldo antecipadamente, com medo de ficarem sem lugar no verão, algo que se passa também com colegas meus”, afirmou à Lusa Rui Cardoso, dono de uma concessão na praia da Rocha Baixinha Nascente, no concelho de Albufeira.

A duas semanas da abertura da época balnear, prevista para 6 de junho, Rui Cardoso adiantou estar a ser contactado por “clientes preocupados”, a quererem saber “como vão ser aplicadas as regras e se há alterações na disposições dos chapéus”.

Entre as regras decretadas pelo Governo para as praias contam-se a obrigatoriedade de manter uma distância de, pelo menos, um metro e meio entre grupos, assim como uma distância mínima de três metros entre toldos e guarda-sóis, que só podem ser ocupados por cinco pessoas.

Rui Cardoso referiu que ainda faltam “muitos detalhes nas informações recebidas” e que os concessionários “ainda não foram esclarecidos pelas autoridades”, mas acredita que nos próximos dias “possa haver novidades”, a tempo da abertura da época balnear.

A dúvida releva-se também na incerteza de um negócio que “só entre 15 de julho e o fim de agosto é que vive dos turistas portugueses”, já que o resto da temporada “está dependente” dos estrangeiros: “Com os hotéis fechados e sem voos não haverá clientes”, vaticinou.

A obrigatoriedade da existência de “três nadadores salvadores a cada a 100 metros” é outro dos problemas apontados pelo empresário, que questiona se “os custos irão aumentar com uma extensão da concessão”, realçando o facto de “não haver nadadores salvadores suficientes”.

A diretora da Marina de Vilamoura, responsável por sete concessões de praia, revelou à Lusa que, durante algum tempo, “houve uma certa apreensão”, gerada pela pandemia de Covid-19, mas depois foi decidido aceitar as reservas dos clientes, embora “condicionadas à possível situação do país” no verão.

“Felizmente é algo que, pelos vistos, não vai acontecer e poderemos funcionar com todas as regras e cuidados para garantir a segurança de quem vem e daqueles que cá estão”, sublinhou Isolete Correia.

Afirmando que os portugueses “estão desejosos de ir de férias”, acredita que Portugal “será um dos destinos de preferência de férias dos europeus”, já que “o país se portou bem”, tendo sido eleito como um dos melhores destinos pós Covid-19.

No entanto, a vinda dos estrangeiros “está dependente da abertura das fronteiras”, alertou a diretora da mais antiga marina portuguesa, situada no concelho de Loulé e gerida pela empresa Vilamoura World.

Já o vice-presidente da Associação dos Industriais e Similares Concessionários das Praias da Orla Marítima do Algarve (AISCOMA) revelou à Lusa que estão a ser preparadas reuniões em cada concelho da região, “para ultimar pormenores”, com uma “participação ativa dos concessionários”.

Artur Simão defendeu que os concessionários “tudo farão para que as pessoas cheguem à praia em segurança” mas alertou que é necessário “o esforço de todos”, nomeadamente, das autarquias, porque “as despesas dos concessionários não podem aumentar”.

Assumindo as incógnitas trazidas pela pandemia frisou que é necessário esclarecer “de quem é a responsabilidade das bandeiras”, ou quem atua, no caso de a Autoridade Marítima “considerar que há pessoas a mais na praia”.

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