Amazon desistiu de se mudar para Nova Iorque

A companhia tem sede mas Seattle mas a expansão de um segundo escritório principal em Nova Iorque foi comprometida por políticos que se opuseram devido aos benefícios fiscais que a empresa iria receber do Estado.

O grande grupo de distribuição Amazon pensou que a construção de uma segunda sede na zona de Queens em Nova Iorque estava garantida, depois de conseguirem atrair o presidente da Câmara e o governador da cidade de Nova Iorque a aceitar a proposta. No entanto, houve um problema que a Amazon não teve em conta: a reação dos políticos, segundo informaram os jornais “Washington Post” e “The Wall Street Journal”.

A empresa norte-americana divulgou um comunicado na passada quinta-feira, onde referiu que “embora as pesquisas de opinião pública demonstrem que 70% dos nova-iorquinos apoiam os nossos planos e investimento, diversos políticos e locais deixaram claro que se opõem à nossa presença e que não trabalharão connosco para construir o tipo de relacionamento necessário para que levemos adiante o projeto que nós e muitos outros planeávamos em Long Island City”. A empresa conduziu esta pesquisa pública durante um ano antes de se decidirem pela ‘Big Apple’.

Bill de Blasio, presidente da cidade, já reagiu à notícia afirmando que “uma pessoa tem de ser dura para chegar a Nova Iorque. Demos uma oportunidade à Amazon de fazer negócios na maior cidade do mundo, e em vez de trabalharem com a comunidade, apenas desistiram”. O presidente fez questão de apontar que como a Amazon não reconheceu o valor que Nova Iorque tem para o mercado, “os seus concorrentes vão fazê-lo”.

Ainda que a companhia já tivesse assegurado a palavra de Andrew Cuomo e de Bill de Blasio, as manifestações de outros políticos fez com que a Amazon voltasse atrás na decisão. Ainda que a promessa de criação de mais de 25 mil empregos e do investimento de 2,5 mil milhões de dólares (2.217 milhões de euros), os políticos contra a mudança criticaram a ideia de a cidade dar o equivalente a 3 mil milhões de dólares (2.661 milhões de euros), proveniente de subsídios pertencentes aos contribuintes, a uma das maiores companhias do mundo, liderada por um dos homens mais ricos do mundo, que é Jeff Bezos. Outros problemas que os políticos colocaram foi a sobrecarga do trânsito que a Amazon iria colocar na cidade e que a chegada da empresa piorasse a escassez de habitação a preços acessíveis.

Greg LeRoy, diretor da Good Jobs First, garante que “a Amazon leu mal Nova Iorque, porque pensavam que a sua popularidade significava um bilhete grátis para a gentrificação”. Alexandria Ocassio-Cortez, a sensação política dos EUA, afirmou na rede social Twitter que “tudo é possível: um grupo de nova-iorquinos dedicados derrotou a ganância da corporação da Amazon, o seu trabalho de exploração, além do poder do homem mais rico do mundo”.

A companhia de Bezos tem sede na cidade norte-americana Seattle, e continua a querer expandir-se para outras cidades. Esta quinta-feira, a empresa afirmou que vai expandir os escritórios nos Estados Unidos e no Canadá, e tornar Crystal City no estado da Virginia a sua segunda sede.

Desde que conduziu o estudo público, a companhia de distribuição recebeu um total de 238 propostas dos EUA, México e Canadá. Em novembro de 2018 declararam que iriam dividir a sede entre Nova Iorque e a cidade na Virgina, por serem cidades costeiras mas simultaneamente centros urbanos, algo que agora não vai acontecer.

 

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