Amazónia: Acordo de comércio livre tem garantias ambientais, diz governo da Noruega

Ministro norueguês da Economia confirmou o acordo anunciado na véspera pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, confrontado com uma chuva de críticas internacionais pela gestão dos incêndios que assolam a floresta amazónica.

A Noruega, membro da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), que junta quatro países não membros da União Europeia, garantiu este sábado que o acordo comercial concluído com o Mercosul contém garantias de preservação da floresta amazónica.

O ministro norueguês da Economia, cujo país assume no segundo semestre a presidência rotativa da associação, confirmou o acordo anunciado na véspera pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, confrontado com uma chuva de críticas internacionais pela gestão dos incêndios que assolam a floresta amazónica.

“Um tema importante (das negociações) tem sido a gestão sustentável das florestas. As partes comprometeram-se nomeadamente a combater a desflorestação ilegal e a proteger os direitos dos povos indígenas”, assegurou Torbjorn Roe Isaksen numa conferência de imprensa em Oslo.

O acordo, que ainda não foi assinado pelos governos nem ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos, “vai no sentido do desejo da Noruega de uma gestão sustentável, especialmente da Amazónia”, disse.

Num comunicado o Ministério afirma por outro lado que o texto prevê “um compromisso recíproco de respeitar os objetivos do Acordo de Paris sobre o clima”.

A associação junta a Noruega, a Islândia, o Liechtenstein e a Suíça. Os quatro países do Mercosul são o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. O acordo com o Mercosul foi duramente criticado pelos grupos ambientalistas e pela oposição em Oslo.

“Não podemos num dia criticar o Brasil pela desflorestação e no dia seguinte negociar um acordo de livre comércio como se nada tivesse acontecido”, disse o líder da esquerda socialista, Audun Lysbakken.

O tratado de comércio acontece quase dois meses depois da conclusão de outro acordo de comércio livre entre o bloco sul-americano e a União Europeia (UE), que ainda precisa de ser ratificado pelos Estados membros da UE.

A França já ameaçou não o ratificar, em protesto pela gestão dos incêndios que estão a destruir a Amazónia.

E hoje, no início da reunião dos países mais industrializados em Biarritz, França, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, admitiu que um acordo EU/Mercosul é pouco provável com a Amazónia a arder.

O ministro finlandês das Finanças, Mica Lintila, anunciou que proporá aos seus congéneres europeus a proibição das importações de carne brasileira.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro anunciou que a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.

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