Ana Botin, presidente do Santander, quer tecnológicas a pagar mais impostos

O tema tem sido alvo de muito debate tanto na União Europeia como na OCDE, no sentido de se encontrar uma plataforma comum de atuação. Mas, para já, está tudo na mesma.

A presidente do Banco Santander, Ana Botín, acusou esta quarta-feira as grande esmpresas tecnológicas de “não pagarem uma parte justa dos impostos”, e pediu que novas regras fiscais sejam estabelecidas para que cada setor, seja tradicional ou digital, pague de acordo com a geração do seu próprio negócio.

Para a mais alta responsável do Santander, só com novas regras fiscais é possível que as tecnológicas contribuam “de forma proporcional” para o desenvolvimento, explicou, citada pela agência EFE, na sua intervenção na Conferência Internacional da Banca, em Madrid, organizada pelo Santander, e onde estava, entre outros, a ministra espanhola da Economia, Nadia Calviño.

A questão dos impostos – ou mais propriamente da fuga aos impostos – por parte dos gigantes tecnológicos que operam na Europa mas praticamente não pagam nada pelas enormes receitas que acumulam é um dos temas mais em debate no seio da União Europeia.

A Comissão Europeia tem manifestado a opinião de que só um desenvolvimento consertado entre todos os países da União Europeia pode ser eficaz nesta matéria – e por isso tem desmotivado que os Estados-membros apliquem individualmente qualquer taxa sobre estas empresas.

Espanha é precisamente um dos países que pretende avançar com alterações neste quadro, com o governo do socialista Pedro Sánchez a dizer que está preparado para avançar com um novo enquadramento fiscal relativo às grandes empresas tecnológicas.

Também a OCDE tem vindo a debruçar-se sobre a matéria. Que os gigantes tecnológicos como a Google, Apple, Facebook ou Amazon paguem impostos nos países onde obtêm benefícios e não acabem fugindo a essas contribuições para o erário público, é o objetivo comum perseguido há já algum tempo pela organização.

Um primeiro rascunho do estudo da OCDE confirma que há um apetite para tributar esse tipo de atividade, de modo que alguns países, como a Espanha, exploram fórmulas fiscais transitórias, ao mesmo tempo que aceitam e esperam um sistema geral para esses gigantes. O imposto que a Espanha atualmente está a avaliar seria temporário, uma vez que a solução deveria ser de longo prazo e com um modelo internacional acordado.

A posição de Ana Botin é mais um contributo para que os legisladores da União Europeia se ‘despachem’.

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