Analistas apontam guerra comercial como causa para a queda das bolsas asiáticas

A venda de um elevado número de ações em Wall Street, Nova Iorque, provocou perdas nas bolsas de Hong Kong e Xangai numa altura em que aumentam as preocupações sobre uma guerra comercial entre os Estados Unidos e os mercados asiáticos, nomeadamente a China.

José Manuel Ribeiro/Reuters

O índice Hang Seng caiu 3,8% no encerramento da sessão, ficando abaixo dos 26.000 pontos e alcançando o nível mais baixo desde maio de 2017.

A bolsa de Xangai perdeu 4,3%, o nível mais baixo dos últimos quatro anos e a bolsa de Shenzhen perdeu 5,5%: o pior resultado desde outubro de 2014.

Os investidores mostram-se preocupados com a tensão que está a marcar as relações comerciais entre a República Popular da China e os Estados Unidos, o que, segundo os analistas, está a provocar a queda dos mercados.

As fortes perdas registadas na quarta-feira em Wall Street tiveram um “efeito dominó” nas bolsas asiáticas, mas também na América Latina e na Europa provocando alterações nas dívidas públicas e um novo aumento das taxas de juro por parte da Reserva Federal norte-americana.

Desde o início do ano, o Hang Seng caiu 16% e a incerteza está a provocar uma baixa diária no investimento na bolsa da Região Administrativa Especial de Hong Kong, considerada no começo de 2018 como um dos melhores mercados do mundo.

As valorizações na bolsa de Hong Kong estão a cair devido à queda da relação qualidade-preço sendo que o índice de volatilidade aumentou 20%, o máximo desde o dia 19 de junho.

Entre os títulos mais afetados encontra-se a tecnológica Tencent, a ação com mais valor registada na Ásia e que caiu 7,3% – a maior perda desde outubro de 2011.

A AAC Technologies caiu 7% enquanto que a banca chinesa e as empresas de energia registaram também fortes quedas: CNOOC (-6,2%) e PetroChina (-5,8%).

As restantes bolsas asiáticas, nomeadamente de Kuala Lumpur, na Malásia e de Tóquio, Japão, também registaram quedas.

“Os mercados estão ameaçados”, disse à France Presse, Stepen Innes, responsável pelas transações Ásia-Pacífico da OANDA.

“Trata-se de uma soma de razões: a queda de Wall Street, alterações nas taxas de juro a longo prazo, inquietação renovada sobre as relações comerciais entre a China e os Estados Unidos e atitudes prudentes na sequência das apresentações dos resultados das empresas”, explicou Juichi Wako, da Bloomberg.

O presidente dos Estados Unidos criticou na quarta-feira, após as primeiras notícias sobre as perdas em Wall Stret, o banco central norte-americano por estar, frisou, empenhado numa política de revisão de taxas.

Entretanto, Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que as alterações bolsistas ficam a dever-se ao contexto económico atual.

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