Anchorage Capital Group lidera corrida à compra dos imóveis do Novo Banco

O Novo Banco escolheu a sociedade norte-americana Anchorage Capital Group para ficar com o seu portfólio de 9.000 imóveis obtidos por dação em incumprimento, avaliado em 700 milhões de euros, segundo avança a agência Bloomberg.

A “Bloomberg” avança esta quarta-feira que a Anchorage Capital Group lidera a corrida à compra de uma carteira de imóveis do Novo Banco no valor de 700 milhões de euros, conhecido como “Projeto Viriato”. A licitação para ativos imobiliários do Novo Banco esteve a ser disputada pelas Anchorage Capital Group, o Bain Capital Credit e o Arrow Global Group.

A venda, apelidada de “Projeto Viriato”, compreende os imóveis detidos por execução de ativos, fruto do incumprimento do crédito, com um valor contabilístico de 700 milhões de euros  e é uma das maiores ofertas de carteiras de ativos imobiliários dos bancos deste ano, refere a agência noticiosa, que cita fontes ligadas ao processo.

O processo de venda abrange um portefólio de nove mil imóveis. A maioria dos imóveis deste portefólio estão situados em Lisboa e Porto, sendo que cerca de metade são residenciais, 25% são imóveis comerciais e os restantes 25% são terrenos.

O valor final da aquisição vai, no entanto, depender  da qualidade dos imóveis, porque dentro de uma carteira tão grande há ativos maus e ativos bons, e os especialistas do mercado dizem que “é preciso que existam bons ativos que compensem outros menos bons”.

O processo, designado “Project Viriato”, está a ser assessorado pela consultora Alantra, sendo que foram convidadas a Anchorage Capital Group, o Bain Capital Credit e a Arrow Global Group a apresentarem as suas ofertas.

O Novo Banco arrancou com o processo de venda de um vasto portfólio de crédito malparado (non performing loans, ou NPL), em duas operações que são assessoradas pela consultora espanhola Alantra. Uma é esta e chama-se “Projeto Viriato” e outra chama-se “Projeto Nata”. A Linklaters está a assessorar uma dessas operações, de venda de carteiras de NPL no valor de 1,1 mil milhões de euros, ao passo que o assessor jurídico do outro processo, no valor de 700 milhões, é a Garrigues (Projeto Viriato).

Segundo a agência noticiosa, a gestora imobiliária portuguesa Lace Investment Partners vai fazer a gestão imobiliária dos imóveis de pois de serem adquiridos pela Anchorage Capital Group.

A venda ocorre numa altura em que o Novo Banco tem ordem para reduzir os seus ativos não estratégicos como parte de um plano de reestruturação que termina em 2021. Até lá, o banco disse que não distribuiria dividendos aos acionistas.

A carteira de imóveis do banco liderado por António Ramalho estava avaliada no final do primeiro semestre em perto de dois mil milhões de euros. Mais especificamente, 1.923 milhões, correspondentes a 35% do valor global.

Recorde-se que o Novo Banco tem a vicissitude de ter herdado um pesado legado, ao nível dos ativos problemáticos do imobiliário; tem um legado pesado de NPL – Non Performin Loans (vulgo crédito malparado) e tem ainda uma herança de passivos caros que foram emitidos no tempo do BES.

Nas últimas contas semestrais, e quanto à limpeza do balanço, o banco revela que o crédito vencido líquido diminuiu 33% (1/3) em apenas um ano, de 32,1% (em junho de 2017) para 28,7% em junho deste ano.

“No semestre continuou a redução dos NPLs cujo rácio continuou a melhorar situando-se nos 28,7% (-3,4% que o homólogo) provisionado em 63,0% (mais 11,8% que no período homólogo). O rácio de NPLs líquido de imparidades desceu de 15,7% em junho de 2017 para 10,6% neste semestre, uma redução de cerca de 33%”, lê-se no comunicado.

“A sinistralidade do crédito não produtivo reduziu-se para 28,7% (30 de junho de 2017: 32,1%; 31 de dezembro de 2017: 30,5%), com a respetiva cobertura por imparidade a aumentar para 63,0% (30 de junho de 2017: 51,2%; 31 de dezembro de 2017: 58,7%).

Neste primeiro semestre deste ano, as imparidades ascenderam a 248,4 milhões que comparam com o registo de 413,1 milhões no 1º semestre de 2017. A imparidade para crédito totalizou 199,6 milhões de euros face a 258,3 milhões apurados no período homólogo.

O Jornal Económico contactou o Novo Banco, mas não obteve resposta até ao momento.

(atualizada)

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