André Ventura prepara cimeira com Vox e Liga após primeira convenção nacional do Chega

Convites a Santiago Abascal e Matteo Salvini para estarem presentes na primeira convenção nacional do Chega, que decorre durante o fim-de-semana em Algés, foram substituídos por encontro entre líderes. Ventura vai propor três vice-presidentes com ligações ao PSD, CDS-PP e PSP. E conta com o militar da GNR Hugo Ernano para candidato a deputado.

A primeira convenção nacional do partido Chega, que irá decorrer neste fim-de-semana, não terá convidados estrangeiros, ao contrário do que chegou a estar previsto. Em vez da presença no auditório do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, em Algés, está a ser preparada uma cimeira, a realizar durante o mês de Julho, em data e local a definir, de André Ventura com os líderes dos partidos de direita nacionalista Vox, Santiago Abascal, e Liga, Matteo Salvini.

Mesmo sem contar com a presença da grande surpresa da política espanhola e com o vice-primeiro-ministro italiano na convenção fundadora do partido, André Ventura apresentará no sábado uma moção de estratégia e listas aos órgãos nacionais que incluem três vice-presidentes com ligações ao PSD, ao CDS-PP e à PSP, respetivamente.

O vice-presidente com a pasta da Organização Interna será Nuno Pinto Afonso, antigo conselheiro nacional do PSD, que abandonou os sociais-democratas ao mesmo tempo que Ventura, juntando-se-lhe na fundação do Chega. Apareceu na sétima posição da lista da coligação Basta, formada pelo Partido Popular Monárquico, pelo Partido Cidadania e Democracia-Cristã (PPV-CDC), pelo Chega e pelo movimento Democracia 21, a qual obteve 1,49% dos votos nas últimas eleições europeias.

Também na lista às europeias encabeçada por André Ventura, na 11.ª posição, esteve Diogo Pacheco de Amorim, agora apontado para vice-presidente do Chega com a pasta da Organização Interna, após ter passado pelo CDS-PP durante a presidência de Manuel Monteiro, acompanhando-o na saída do partido e na fundação da Nova Democracia.

No entanto, o percurso político de Diogo Pacheco de Amorim começa ainda nos tempos do Estado Novo, quando foi um dos líderes da Direita Integracionista Coimbrã, tendo depois do 25 de abril de 1974, já exilado em Espanha, integrado o gabinete político do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), do ex-Presidente da República António de Spínola.

Regressado a Portugal após a normalização democrática de 25 de novembro de 1975, militou no Movimento para a Independência e Reconstrução Nacional (MIRN), partido de extrema-direita liderado pelo general Kaúlza de Arriaga. Mais tarde seria assessor da Presidência do Conselho de Ministros no primeiro governo da Aliança Democrática, afastando-se após as mortes de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa em Camarate.

O terceiro vice-presidente do Chega, com a pasta da Justiça e Segurança, duas das áreas prioritárias do partido fundado por André Ventura, será José Augusto dos Santos Dias, que é atualmente presidente do Sindicato do Pessoal Técnico do PSP.

A ligação estreita do Chega às forças policiais, já patente na presença dos nomes de Pedro Magrinho, presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Polícia, e de Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado da Polícia, na lista da coligação Basta para as europeias, poderá sair ainda mais reforçada caso avance o plano de apresentar Hugo Ernano como cabeça de lista pelo círculo do Porto nas legislativas de 6 de outubro. É ainda incerto que até ao final da convenção, na tarde de domingo, fiquem definidas as listas, sendo evidente a escolha do próprio André Ventura por Lisboa, onde é mais provável obter representação na Assembleia da República.

O militar da GNR foi condenado a nove anos de prisão efetiva (reduzida a quatro anos de pena suspensa pela Relação de Lisboa) pelo homicídio involuntário de um jovem de 13 anos de etnia cigana, abatido por um tiro disparado durante uma perseguição policial à carrinha conduzida pelo pai, que acabara de fazer um assalto a uma leitaria em Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures. Ernano acabou por pagar uma indemnização de 55 mil euros aos pais do jovem.

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