António Costa apela a dirigentes desportivos para “terem cuidado” no apelo à paixão dos adeptos

O primeiro-ministro, António Costa, esclareceu que o Governo implementou na anterior legislatura um programa de combate à violência no desporto, que originou a Autoridade Nacional Contra a Violência e o Racismo da Violência no Desporto.

Twitter

A líder parlamentar do PAN, Inês Sousa Real, questionou esta terça-feira o Governo sobre os meios de combate à violência, apontando como exemplo o episódio de racismo contra o jogador de futebol Moussa Marega.

Numa intervenção no debate quinzenal, na Assembleia da República, durante o qual também o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP condenaram o episódio, Inês Sousa Real defendeu que é “grave que aqueles que com o seu discurso têm viralizado ódio sejam tidos por parte da população como uma solução”.

O primeiro-ministro, António Costa, esclareceu que o Governo implementou na anterior legislatura um programa de combate à violência no desporto, que originou a Autoridade Nacional Contra a Violência e o Racismo da Violência no Desporto.

“Não podemos estar sempre a fazer de conta que estamos a partir do zero. Para já é dar cumprimento à legislação que foi acabada de aprovar”, disse António Costa.

O Chefe do Executivo apelou ainda aos dirigentes desportivos “terem cuidado como forma como se dirigem aos seus adeptos, aos seus apoiantes”, frisando que estes têm uma “enorme responsabilidade”.

Relacionadas

‘Caso Marega’: “Já temos várias pessoas identificadas através videovigilância e testemunhos”, diz PSP

Equipa especial da PSP, criada para o efeito e que conta com o Ponto Nacional de Informações sobre Desporto, já identificou “vários” suspeitos de insultos racistas ao jogador do FC Porto, Moussa Marega. Processo de identificação está em curso e deverá estar concluído “em breve”. Ainda não foram constituídos arguidos os suspeitos identificados através da ajuda de videovigilância e testemunhos de outros adeptos.

Racismo: Insultos a Marega constam dos relatórios do árbitro e dos delegados

Os insultos dirigidos ao avançado dos dragões constam no relatório do árbitro Luís Godinho, da associação de Évora, e dos delegados Nuno Pedro e Augusto Carvalho, segundo a mesma fonte.

‘Caso Marega’. “Culpa do clube é de difícil prova”, admite ex-secretário de Estado do Desporto

Alexandre Miguel Mestre esclarece em entrevista ao JE que, no caso das penas previstas para os adeptos, estamos perante o crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, previsto no artigo 240, número 2, alínea b) do Código Penal, punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos.

‘White Angels’. Maior claque do Vitória de Guimarães tem 700 membros. Apenas 11 estão registados no IPDJ

No período de 2015 a 2017 foram registados 58 incidentes relacionados com crimes de incitamento à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância, dos quais 9,8% dizem respeito diretamente às claques do Vitória de Guimarães.
Recomendadas

Futebol: campeonatos nacionais não profissionais concluídos antecipadamente pela FPF

A FPF dá por concluídas as provas desta época, sem atribuir vencedores a estas competições nem se fazendo sentir o regime de subidas e descidas.

“Nunca o modelo americanizado esteve tão próximo”, considera juiz do TAD

Que modelos competitivos vamos ter no contexto do desporto europeu após a pandemia de Covid-19. Jerry Silva, juiz do Tribunal Arbitral do Desporto, considera que está aberto o caminho para a realização de competições fechadas como a SuperLiga europeia.

“Vamos precisar de um Plano Marshall para o futebol”

Luís Miguel Henrique referiu na última edição do programa “Jogo Económico”, da plataforma JE TV, que um corte como aconteceu no FC Barcelona, por exemplo, dificilmente poderia ser replicado num clube da Liga portuguesa. “É difícil que o problema se resolva à escala de cada país, FIFA e UEFA têm meios para ajudar os clubes”, realçou.
Comentários