António Guterres: “O empoderamento das mulheres constitui o maior desafio de direitos humanos do mundo atual”

“É hora dos homens ficarem ao lado das mulheres, ouvirem o que têm a dizer e aprenderem com elas”, afirmou António Guterres neste Dia Internacional da Mulher.

Rafael Marchante/Reuters
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António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), defendeu que “alcançar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres e raparigas constitui o maior desafio em matéria de direitos humanos do mundo atual”, num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no”Público”.

A pensar no 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o antigo primeiro-ministro de Portugal debruçou-se sobre as condições de vida e a igualdade de oportunidades que as mulheres historicamente enfrentam e, por isso, clarifica a sua opinião ao escrever que o seu artigo não se trata de “um favor às mulheres”, mas sim de uma questão de direitos humanos.

Seguiu-se a constatação do estado atual da igualdade de género: “as desigualdades estruturais e históricas, que permitiram que a opressão e a discriminação florescessem, estão a ser denunciadas como nunca”, sendo que em todo o mundo, as “mulheres pedem uma mudança duradoura e tolerância zero para ataques sexuais, assédio e discriminações de todos os tipos”.

“O ativismo e a defesa de gerações de mulheres estão a dar frutos. Há mais raparigas matriculadas nas escolas, mais mulheres têm trabalhos remunerados e exercem cargos superiores no setor privado, na academia, na política, em organizações como a ONU” e, ainda assim – constatou Guterres – a diferença salarial global entre homens e mulheres é de “23% , chegando aos 40% nas áreas rurais”. “O trabalho não remunerado feito por muitas mulheres não é reconhecido”, alerta ainda.

A escassa representação política entre as mulheres também não foi esquecida pelo antigo Alto Representante da ONU para os refugiados – “a representação das mulheres nos parlamentos nacionais é, em média, menos de 25%” -, que alertou também para as leis criadas para proteger a mulher, em matéria de direitos humanos, “frequentemente ignoradas”.

Para o sucessor de Ban Ki-Moon, o caminho certo é investir na igualdade de género, sob pena de a discriminação contra as mulheres afetar “todos”. “Existem provas de que investir nas mulheres é o caminho mais eficaz de fazer avançar comunidades, empresas e até mesmo países”, que conclui a opinião com uma exortação:  “É hora dos homens ficarem ao lado das mulheres, ouvirem o que têm a dizer e aprenderem com elas. A transparência e a responsabilização são essenciais para que as mulheres alcancem o seu máximo”.

 

 

 

 

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