Ramalho escreve aos colaboradores a dizer que o rácio exigido pelo BCE ao Novo Banco foi maior que o esperado

António Ramalho diz ainda que “aprofundaremos o terceiro círculo de prioridades onde se desenha a diferenciação do Novo Banco e onde às propostas das unidades autónomas de Espanha, do Best, e da Gestão de Ativos se juntarão as novas unidades de Real Estate Financing e de Principal Lending que estão em fase de implementação”, anunciando assim novas áreas de negócio.

Numa mensagem publicada ontem na intranet do banco, o CEO do Novo Banco, António Ramalho disse aos colaboradores, que “a descida previsível dos rácios de capital impostos pelo Supervisor ao Banco não foi tão elevada quanto o esperado”, isto pode significar que o Novo Banco poderá precisar de mais do que os 726,4 milhões de euros do Fundo de Resolução que tinha admitido no relatório e contas do semestre.

Mas há mais novidades na carta que o CEO escreveu aos colaboradores do Banco. “Aprofundaremos o terceiro círculo de prioridades onde se desenha a diferenciação do Novo Banco e onde às propostas das unidades autónomas de Espanha, do Best, e da Gestão de Ativos se juntarão as novas unidades de Real Estate Financing e de Principal Lending que estão em fase de implementação” escreve Ramalho.

Malparado está abaixo dos 3 mil milhões

Na carta a que o Jornal Económico teve acesso, António Ramalho diz que “o ano de 2018 foi essencial para o futuro do Novo Banco”. Porque “os três principais problemas do nosso legado foram tratados. Primeiro, tratámos o elevado volume de Non Performing Loans (NPLs ou Créditos Não Produtivos) reduzindo-o de forma consistente quer pela recuperação caso a caso, quer pela venda do maior portfólio de créditos vencidos alguma vez vendido em Portugal. Terminaremos o ano com menos de 3 mil milhões de euros líquidos de NPLs”.

Em segundo lugar, diz, “acelerámos a venda de imóveis não produtivos que ensombram o nosso balanço. Uma venda de imóveis valorizados em mais de 700 milhões de euros realizada no terceiro trimestre permitiu vender cerca de 9 mil lotes granulares que nos traziam muitos custos e nenhuma rentabilidade”.

“Terceiro, normalizámos o nosso custo de passivo através de diversas operações que incidiram sobre as poupanças programadas, sobre as soluções de emigrantes e sobre os depósitos de alta taxa, tudo com um nível de retenção de clientes superior a 80%”, revela António Ramalho.

O CEO do banco detido maioritariamente pela Lone Star admite no entanto “que os problemas ainda subsistem, mas não só em menor dimensão, como a sua solução ficou traçada e provada”. Acrescenta que “todas estas iniciativas representaram um enorme esforço humano e representarão um esforço de capital mas permitirão ao Novo Banco mais que duplicar o resultado operacional comercial (core banking income) entre 2017 e 2019″.

“E ainda mais importante é o facto destas iniciativas nos permitirem cumprir os compromissos assumidos perante a União Europeia pela República Portuguesa”, adianta.

Resultado SREP pior que o previsto

Mas o ano de 2018 “foi também marcado por passos decisivos para a nossa atividade corrente que, recorde-se, refundará o Novo Banco para o futuro”, diz a carta

Ao nível do capital, ele foi reforçado não só pela entrada previsível do capital pelo Fundo de Resolução, mas também pela emissão de obrigações Tier 2 de 400 milhões de euros, “uma operação que acabou por ser premiada como a operação obrigacionista do ano pela IFR”, realça.

“É verdade que a descida previsível dos rácios de capital impostos pelo Supervisor ao Banco não foi tão elevada quanto o esperado, sendo de novo absorvido pelo fim do período transitório que terminou em dezembro (que exige maior rácio ao sistema). Mas a melhoria da situação geral do Banco acabará por se refletir quer nestas exigências, quer na notação de rating pretendida”, diz o CEO do Novo Banco sem adiantar no entanto quanto será afinal pedido ao Fundo de Resolução este ano.

Recorde-se que o relatório das contas semestrais revelava que no final de junho “está contabilizado em outras reservas e resultados transitados o valor apurado a essa data quanto ao montante a receber em 2019, ao abrigo do mecanismo de capital contingente celebrado com o Fundo de Resolução, de 726,369 milhões de euros”. No entanto também era dito que este valor resulta das perdas registadas em ativos selecionados e do seu impacto nos rácios impostos no momento em que são determinados, à data em que é feito cada balanço. O que significa que as necessidades de capital a receber do Fundo de Resolução, uma entidade pública mas cujo financiamento é da responsabilidade da banca, só ficariam fechadas quando fossem conhecidas as perdas e o seu impacto nos rácios no final do ano 2018. Portanto tudo dependia da análise SREP – Supervisory Review and Evaluation Process, feita pelo BCE no final do ano passado. Agora António Ramalho vem anunciar que este exame teve um resultado pior que o esperado.

Desde que foi vendido à Lone Star no final do ano passado, o Novo Banco já recebeu uma primeira injeção de fundos públicos, financiada com um empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, e que ascendeu a 791,7 milhões de euros. Uma operação que foi ao défice do Estado, situação que deverá voltar a acontecer este ano.

O Governo incluiu no cálculo do défice deste ano uma despesa de 400 milhões de euros com uma provável nova injeção de capital do Novo Banco. O valor previsto no Orçamento do Estado para 2019 (OE 2019) foi revelado pelo ministro das Finanças em entrevista publicada no Jornal de Negócios , pois quando questionado sobre se o défice de 0,2% já inclui a possibilidade de se ter de recapitalizar o Novo Banco, Mário Centeno respondeu que sim, que o défice “inclui uma dimensão de recapitalização do Novo Banco na ordem dos 400 milhões de euros”.

O Ministério das Finanças manteve no entanto em 2019 a inscrição de um empréstimo de 850 milhões para o Fundo de Resolução que pode, a cada ano, ter de injectar no Novo Banco. Em 2018, tinha essa dimensão, mas como o Fundo tinha receitas só emprestou 430 milhões.

Objectivo de resultado operacional e  novas unidades de negócio

“Ao nível da atividade Comercial, reiniciámos o nosso processo de recuperação de quota de mercado quer nas empresas, quer nos particulares, mantendo níveis adequados de margem financeira. Isto só foi possível com a continua melhoria dos índices de satisfação com o Novo Banco. Também foi possível reintroduzir o sistema de objetivos e incentivos numa base trimestral e anual. Ao nível Operacional, foi possível conter os custos, reduzir os balcões para o número comprometido com a DGComp e assegurar a venda ou fecho das operações não core como Cabo Verde, BES Vénétie ou Venezuela, operações que apenas nos reduziam a atenção e foco comercial. A mudança sem problemas do nosso data center foi um marco de descrição e eficiência”, escreve ainda o banqueiro.

Ramalho garante que “tudo o que fizemos em 2018 será aprofundado em 2019 para assegurar o destino estratégico do Novo Banco”.

“Definiremos um conjunto de novos programas operacionais no nosso Plano Estratégico, que nos permitam dar prioridade aos projetos do círculo de otimização ambicionando melhores níveis de eficiência e melhor nível de serviço ao cliente.  Continuaremos a nossa aposta na digitalização, segundo círculo das nossas prioridades estratégicas, através de um programa detalhado que já está a dar passos decisivos com a criação do Novo Banco Digital”, adianta.

Ramalho diz ainda que “aprofundaremos o terceiro círculo de prioridades onde se desenha a diferenciação do Novo Banco e onde às propostas das unidades autónomas de Espanha, do Best, e da Gestão de Ativos se juntarão as novas unidades de Real Estate Financing e de Principal Lending que estão em fase de implementação”, anunciando assim novas áreas de negócio.

O CEO António Ramalho conclui dizendo que o ano 2019 “será por isso um ano onde se terminará a fase de resolução dos maiores problemas do passado e onde serão cada vez mais visíveis as linhas estratégicas do Novo Banco que estamos, juntos, a construir. É esse o esforço suplementar que nos será exigido neste ano que agora começou. E porque todo este esforço só poder ser realizado por uma equipa motivada e focada, elegemos o Talento e Mérito como pilar prioritário para o ano de 2019”.

(atualizada)

 

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