Após surpresa de setembro, S&P deverá ter cautela com novas subidas no ‘rating’

Esta sexta-feira há nova avaliação ao ‘rating’ pela Standard and Poor’s, a primeira a tirar Portugal do nível de ‘lixo’ depois da crise. Os analistas consideram que a agência de notação não irá fazer outro ‘upgrade’, mas que irá apontar os progressos do país.

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A Standard and Poor’s deverá elogiar os progressos da economia portuguesa, mas manter o rating inalterado, segundo os analistas consultados pelo Jornal Económico. A avaliação sobre a dívida nacional volta a estar em destaque esta sexta-feira, com o primeiro relatório de uma agência de notação financeira este ano, depois de a S&P se ter tornado, em setembro, a primeira das três principais agências a tirar Portugal do ‘lixo’.

“A agência de rating tem destacado o crescimento sustentado, a consolidação orçamental e a diminuição dos riscos nos próximos dois anos, nomeadamente o apoio do Banco Central Europeu (BCE), apesar da diminuição dos estímulos monetários”, explicou Pedro Lino.

O economista e CEO da Dif Broker considera que a S&P não irá fazer alterações, “aguardando pelo orçamento de 2019 e normalização da política monetária para poder melhorar a perspetiva e o rating“.

A mesma posição tem Filipe Garcia, economista e presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros, que espera que a agência sublinhe, além do apoio do BCE, “a boa condição da economia europeia, a boa gestão da dívida e a perceção positiva quanto à execução orçamental”.

Em setembro, a S&P surpreendeu os mercados ao fazer um upgrade da notação de Portugal, passando-a para grau de investimento. A decisão não era espera porque a perspetiva era ‘estável’ e é pouco comum a decisão de subir o rating sem ter a perspetiva ‘estável’. Desta vez, a situação é a mesma e poderá ser o outlook a centrar as atenções.

O diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva, é mais otimista e diz que, apesar de não esperar qualquer alteração no rating, é “provável que o outlook seja favorável, em linha com diversos indicadores da economia portuguesa que revelam algumas melhorias”.

Atualmente, a notação da dívida portuguesa pela Standard and Poor’s está em ‘BBB-‘ (o primeiro nível de investimento). Mesmo que a agência elogie a situação nacional, deverá apontar fragilidades.

Os analistas concordam que o elevado endividamento público e privado deverá continuar a ser apontado como o principal ponto negativo para Portugal.

“A juntar a estes riscos o crescimento do défice comercial não irá ajudar à melhoria das contas externas, que terá de ser compensado por factores mais incertos como sejam o turismo”, acrescentou Lino, enquanto Garcia refere ainda o “crescimento nominal da economia abaixo da taxa de juro média da dívida, a dificuldade em subir mais impostos e os riscos de alteração de política monetária”.

Após a avaliação desta sexta-feira, o centro das atenções estará no dia 20 de abril, data em que a par Moody’s vai avaliar Portugal. Este é a única das três principais agências de notação financeira a manter o país ainda em grau especulativo.

No mesmo dia, também apresenta um relatório sobre a República a canadiana DBRS, a agência que manteve Portugal acima do ‘lixo’ durante a crise, permitindo o acesso ao programa de compra de ativos do BCE. Após ter feito um upgrade para grau de investimento em dezembro, a Fitch volta a olhar para Portugal apenas no dia 1 de junho, fechando a primeira ronda de avaliações.

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