Apple investigada por pressão ilegal sobre Yahoo Japão

A Comissão de Comércio Justo e o Ministério da Indústria japoneses estão a investigar a Apple por supostamente ter pressionado a Yahoo Japão a abandonar uma plataforma de jogos que concorre com a App Store

Eduardo Munoz/Reuters

A Comissão de Comércio Justo e o Ministério da Indústria japoneses estão a investigar a Apple por supostamente ter pressionado a Yahoo Japão a abandonar uma plataforma de jogos que concorre com a App Store, noticiou esta quinta-feira o jornal “Nikkei”.

A Yahoo informou os reguladores japoneses pela primeira vez no final de 2017 sobre os problemas relacionados com a plataforma online Game Plus, um serviço exclusivo daquele país lançado em julho do ano passado e que permite aos utilizadores jogar sem baixar aplicações.

Cinquenta empresas inicialmente aderiram ao projeto que a Yahoo pretendia expandir para outras áreas graças à sua rede de mais de 60 milhões de utilizadores ativos por mês, a partir dos quais recolheria uma série de dados para ajudar as editoras na comercialização.

A empresa, no entanto, cortou abruptamente o seu orçamento para a Game Plus no outono e quase abandonou as ações de promoção do serviço.

De acordo com o jornal Nikkei, a Yahoo disse a vários parceiros de negócios que foi forçada a abandonar a plataforma devido a pressões da Apple, da qual depende para obter parte de seus lucros com vendas feitas através da App Store.

A empresa de tecnologia norte-americana teria visto na plataforma da Yahoo uma ameaça para a rede de fornecedores e anunciantes que tem na sua loja de aplicações.

A Comissão Japonesa de Comércio Justo tem reunido informações sobre as alegações, que acredita serem uma interferência da Apple nos negócios da Yahoo que violariam a lei antimonopólio daquele país asiático, indicou o jornal Nikkei.

Não é a primeira vez que a Apple é alvo de acusações similares. Em julho, a Comissão do Comércio Justo revelou que a Apple tinha forçado fornecedores de serviços móveis no Japão a vender os seus iPhone a baixo preço e a cobrar taxas mensais mais caras, limitando as opções dos consumidores e a concorrência.

A investigação sobre o caso da Yahoo é o mais recente exemplo do escrutínio que os reguladores japoneses têm sobre as quatro principais empresas de tecnologia norte-americanas: Apple, Google, Facebook e Amazon.

Ler mais
Relacionadas

Apple, a maçã que foi ‘mordida’ 1 bilião de vezes

É a primeira empresa pública norte-americana e a segunda da história a passar a barreira dos 13 dígitos de valor em bolsa. Tim Cook ‘segurou’ o iPhone e impulsionou as receitas da empresa para patamares nunca antes vistos. Mas o que são, de facto, 1 bilião de dólares?

Bruxelas multa Qualcomm em 997 milhões de euros por pagamentos indevidos à Apple

A comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, anunciou a decisão em conferência de imprensa esta manhã, 24 de janeiro. “Entre 2010 e 2016, a Qualcomm pagou milhares de milhões ao seu cliente Apple e o pagamento serviu para evitar que a Apple comprasse de outros concorrentes”, explicou.
Recomendadas

BE critica Governo por não ter destituído governador do Banco de Portugal por “fechar os olhos” ao crime económico

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, corresponsabiliza o atual Governo por não ter destituído o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, quando “havia mais do que matéria” para isso e ter insistido num “permanente fechar de olhos” à atuação de Carlos Costa.

Covid-19: Lufthansa vai parar 150 aviões devido a queda no tráfego aéreo

Com uma frota de mais de 750 aeronaves, a Lufthansa, que opera várias de e para Portugal, já tinha decidido na sexta-feira a imobilização de 23 aviões de longo curso.

Autoridade da Concorrência aplica multa de 3,4 milhões a cartel da ferrovia e inibição de participarem em concursos públicos

A AdC condenou a Fergrupo – Construções e Técnicas Ferroviárias, S.A, a Somafel – Engenharia e Obras Ferroviárias, S.A, a i.e. Futrifer – Indústrias Ferroviárias, S.A., Mota-Engil – Engenharia e a Construção, S. A. e Sacyr Neopul S.A.
Comentários