Avaliação de desempenho. As métricas que mostram se o mérito está lá (ou não)

Especialistas concordam: a avaliação de desempenho é fundamental e deve ser processo contínuo, e o líder desempenha um papel-chave. Há quem admita a inteligência artificial.

Na escola, as notas medem a performance do aluno. Nas empresas é através da avaliação de desempenho que se procura medir o mérito. Esta ferramenta de gestão de recursos humanos usada por empresas e organizações deve estar focada no desenvolvimento profissional dos seus colaboradores e na melhoria contínua dos processos de trabalho.

“É um binómio. Não existe uma coisa sem a outra”, afirma Teresa Espassandim, da direção da Ordem dos Psicólogos, ao Jornal Económico. A tecnologia poderá ajudar a ultrapassar a barreira? “Se o binómio processos/resultados não estiver garantido não é a tecnologia que o vai facilitar ou dificultar”, esclarece. O que é fundamental na avaliação de desempenho é que exista e seja bem aplicada. Isto é, flua naturalmente. “Quando nas organizações se dão instrumentos e facilita o desenvolvimento profissional dos colaboradores, se promove realmente o trabalho colaborativo (em equipa) e o líder, ou chefe, promove a autonomia, a avaliação de desempenho é algo que se faz todos os dias, que acontece, é um contínuo.”

O home office em que se encontram muitas empresas, devido à pandemia da Covid-19, não é um obstáculo. “A avaliação de desempenho é algo fundamental, mas tanto é no sistema de teletrabalho como no trabalho presencial”, afirma Daria Henriques, manager de Assessment & Development da Randstad Portugal, ao Jornal Económico.

A especialista em competências comportamentais evidencia o papel do líder em todo o processo e atira a palavra-chave: flexibilidade. A esta associa a boa comunicação. “Tem de haver diálogo, que não apenas os diálogos de análise do desempenho. O líder tem de ouvir o colaborador, as suas necessidades e dificuldades, e construir planos de ação e desenvolvimento que permitam, de facto, melhorar a performance”.

Daria Henriques defende a avaliação a 360 graus, ou seja, aquela que permite recolher feedback em todos os quadrantes da empresa, que incluem, além das chefias, os colegas de trabalho, clientes e colaboradores.

 

Da comunicação à IA
A OutSystems, empresa especializada em tecnologia para desenvolvimento de plataformas low-code tem escritórios em Portugal e mais 12 cidades da Europa à Ásia, passando pelos Estados Unidos. Emprega perto de um milhar de pessoas altamente qualificadas, muitas das quais contratadas no pressuposto de trabalharem a partir de casa.

Alexandra Monteiro, VP of People da OutSystems, diz ao Jornal Económico que o sucesso é medido com base nos comportamentos e resultados obtidos. E explica: “O processo prevê a definição de objetivos, que se regem por uma ‘North Star’, e a identificação das métricas. As lideranças e equipas definem as iniciativas para lá chegar, mas no fim do dia, as métricas atingidas (ou não) mostram se o mérito está lá (ou não). É esta disciplina a definir e medir sucesso que nos tem garantindo a autonomia das pessoas e, ao mesmo tempo, a monitorização de que o trabalho acontece e é produtivo”. A responsável da OutSystems destaca a comunicação regular entre chefia e colaborador, que permite reconhecer os primeiros sinais de sucesso ou de alerta – independentemente de onde cada um se encontra.
“A distância coloca-nos desafios, sim, mas que se prendem mais com o reforçar do sentido de pertença e coesão, do que com a nossa capacidade de reconhecer – e, acima de tudo, alavancar – o mérito”, salienta.

Na visão futurista de Rui Teixeira, Chief Operations Officer da ManpowerGroup Portugal, o devir da avaliação de desempenho não se escreverá sem uma forte componente tecnológica, o que mudará muita coisa e… para melhor. “Com o aumento da analítica de dados e recorrendo à Inteligência Artificial (IA), temos a possibilidade de dar o passo para uma avaliação que nos fornece insights acionáveis, baseados em dados, e que elimina o preconceito e viés na perceção, que podem influenciar de forma injusta essa avaliação”, explica o gestor ao Jornal Económico.

Atualmente, refere, o indicador mais comum do desempenho é a avaliação do manager direto, sendo eventualmente complementada por uma avaliação pelos pares ou rede de contactos.

No futuro, “agilidade, equidade e maior clareza” serão trunfos.

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