Ásia atrai investidores com retornos de 9%

Mercados emergentes podem crescer 8% até 2023, o dobro dos EUA e Europa. Regulação menos restritiva pode tornar a China continental numa alternativa ao investimento em Hong Kong e Singapura.

DR REUTERS/Aly Song TPX IMAGES OF THE DAY

Os muito ricos serão ainda mais ricos em 2023. De acordo com o relatório “Global Wealth Managers: Out of The Pit Stop – Into The Fast Lane”, elaborado em  conjunto pela consultora Oliver Wyman e pelo Deutsche Bank, a que o Jornal Económico teve acesso, revela que a geração de riqueza das famílias que têm pelo menos um milhão de dólares na conta bancária e que são detentoras de aplicações em ativos financeiros vai crescer a um ritmo de 5% nos próximos quatro anos (o relatório analisa o período 2018-2023).

A nível global, a riqueza dos high net wealth individuals (HNWI) ascendia a 68 biliões de dólares em 2017, crescendo 4% no ano seguinte, para 70 biliões, apesar da contração dos mercados bolsistas registada no final do ano passado. Em 2023, a fortuna privada mundial chegará aos 91 biliões (são 91.000.000.000.000 de dólares).

Apesar de os Estados Unidos continuarem a representar a maioria da fortuna privada à escala global – com 49 biliões, representará 42% do total em 2023 – a riqueza dos  HNWI norte-americanos vai expandir-se “apenas” 4%, um ponto percentual acima da Europa Ocidental. Neste sentido, o relatório fala num “fim de ciclo à vista” e aponta os holofotes para as oportunidades de investimento em ativos financeiros nos mercados emergentes, que crescerão 8% até 2023.

O relatório antecipa que serão as regiões da Ásia-Pacífico (APAC) e América Latina (LATAM) onde a fortuna dos muitos ricos mais cresce entre 2018 e 2023: 9% e 8%, respectivamente. Isto signfica que estas duas regiões vão representar mais de metade da fortuna privada mundial em 2023, embora representem atualmente apenas um terço.

“Estes são os mercados onde os gestores de riqueza terão mais oportunidades para expandir a clientela e crescer significativamente”, frisa o relatório.

As margens das aplicações financeiras realizadas por gestores de riqueza nos mercados desenvolvidos caíram em 2018, por causa dos riscos políticos verificados nos Estados Unidos e na Europa.

No continente norte-americano, o relatório destacou as medidas protecionistas levadas a cabo pela administração Trump, assim como a subida das tensões comerciais com a China. Na Europa, foram salientados os movimentos populistas, assim como o Brexit.

China e sudeste asiático são alternativas de investimento

O relatório concentra-se nas oportunidades de investimento encontradas na APAC, nomeadamente na China e no Sudeste asiático, que se afiguram como alternativas a Hong Kong e a Singapura.

Tradicionalmente, os getores de riqueza têm-se centrado na qualidade dos mercados de capitais de Hong Kong e de Singapura, ambos altamente cotados no ranking ‘Global Financial Centre Index’, ocupando as terceira e quarta posição, respectivamente. Mas o relatório alerta para alteração das dinâmicas nos mercados periféricos,  em cujos os ativos se investe a partir de Hong Kong e Singapura.

No caso da ilha localizada ao sul da China, os HNWI que aí investem mostram-se preocupados com a “crescente abordagem intrusiva das autoridades chinesas”. Neste sentido, embora a integração entre a China e Hong Kong esteja longe de acontecer, os HWNI deverão considerar alternativas no continente asiáticopara mitigar o risco político que está em crescendo.

Em consequência, investir em Singapura poderá ser uma alternativa, mas a verdade é que a cidade-Estado também enfrenta dificuldades. Nomeadamente, as alterações regulatórias nos mercados do sudeste asiátivo que começam a abir oportunidades noutros países periféricos, surgindo como concorrentes da Singapura.

Neste ponto, o relatório é prentório: os gestores de riqueza devem estudar as oportunidades de investimento em ativos financeiros da China continental “agora”. Mais deixa um alerta: os gestores que decidirem investir na China devem estar prontos para sacrificar perdas de curto-prazo em benefício de ganhos no longo-prazo, mas poderão chegar ao break even cinco anos após o início do investimento.

Com 80% do investimento financeiro a ser aplicado domesticamente, o mercado chinês afigura-se como um manancial de oportunidades, além de o relatório estimar ainda que a fortuna privada cresça 10% por ano entre 2018 e 2023.

Embora persistam barreiras regulatórias ao investimento estrangeiro, o relatório salienta que o quadro legal chinês está criar um ecossistema menos restritivo para o investimento estrangeiro. Atualmente, as empresas estrangeiras já podem deter a maioria do capital numa estrutura de joint-venture com um parceiro chinês, mas, a partir de 2021, poderão deter 100%.

No Sudeste asiático, o relatório sugere posições concentradas – chegando aos 10 mil milhões de dólares em alguns casos – devido às reformas regulatórias, especialmente na Indonésia, Malásia e Tailândia, países em que o quadro legal começa a atrair serviços de acessoria externos.

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