Autárquicas: Jerónimo apresenta João Ferreira e CDU como alternativa em Lisboa

O secretário-geral do PCP apresentou hoje a CDU “força da alternativa” em Lisboa nas autárquicas do outono e João Ferreira como o candidato de uma coligação “preparada para assumir todas as responsabilidades” que a população lhe der.

Cristina Bernardo

Numa sessão de apresentação da candidatura, na baixa lisboeta, no Largo José Saramago, o escritor comunista que recebeu o Nobel, Jerónimo de Sousa afirmou os eleitores conhecem a Coligação Democrática Unitária (CDU) pelo que fez ao longo dos anos, incluindo quando teve um acordo com o PS na década de 1990, e que afastou “a direita” do poder.

A cidade e os seus eleitores, afirmou, conhecem “a CDU, nestes últimos anos, pela sua contribuição concreta para apresentar soluções e para denunciar as opções erradas que a gestão do PS prossegue na cidade.

“Podemos dizer com toda a segurança que a CDU é a força da alternativa também no plano da cidade de Lisboa, como está preparada para assumir todas as responsabilidades que a população lhe queira confiar no outono próximo”, afirmou.

O próprio candidato concordou, depois de recusar a lógica de bipolarização PS-PSD e de fazer o balanço de algum do trabalho da vereação da CDU nos últimos quatro anos, retirando algumas conclusões.

A CDU, disse, “mostrou ser conhecedora profunda da realidade da cidade, mostrou ter a vontade e a capacidade para a transformar o que está mal, mostrou estar pronta para disputar e para assumir todas as responsabilidades na gestão municipal, incluindo a presidência da Câmara Municipal”.

Uma terceira conclusão é que o facto de não ter existido, em 2017, uma maioria absoluta do PS foi, em Lisboa, “um fator positivo na criação de melhores condições para responder aos problemas da cidade”, valorizou o “papel da oposição, da sua intervenção e contributos”.

E, a seguir, fez uma crítica implícita ao Bloco de Esquerda, que tem um acordo com o PS, por ter apoiado soluções pouco diferentes do tempo em que os socialistas governavam sozinhos a maior câmara do país.

“Neste mandato, se não se foi mais longe com as atuais condições, foi porque cedo o PS contou com apoio garantido para a viabilização de orçamentos e de opções de gestão que não se afastaram de alguns dos aspetos mais negativos das maiorias absolutas do PS”, disse.

Nas autárquicas mais recentes para a Câmara de Lisboa, em 2017, obteve 9,55% dos votos (24.110) e dois vereadores.

Nesse ano, o PS manteve a liderança da autarquia, com a lista encabeçada pelo socialista Fernando Medina a conquistar oito mandatos, insuficientes, porém, para assegurar a maioria absoluta.

O PS fez, por isso, um acordo de governação com o BE, que detém pelouros. O executivo é ainda composto por quatro vereadores do CDS-PP e dois do PSD, além dos dois eleitos pela CDU.

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