Autoeuropa tem oito mil carros para entregar e terá de recorrer a Leixões e portos espanhóis

De acordo com a empresa, trata-se de uma solução temporária, que permite minimizar os atrasos mas que não resolve o problema, porque não dá resposta às necessidades de escoamento da produção da fábrica de Palmela.

A Autoeuropa tem a entrega de mais de 8 mil veículos produzidos na fábrica de Palmela atrasada, e está a recorrer a portos alternativos a Setúbal, devido à paralisação dos trabalhadores eventuais iniciada no passado dia 5 de novembro.

Segundo revelou à agência Lusa fonte oficial da fábrica de automóveis da Volkswagen em Palmela, a empresa já está a proceder ao envio de centenas de veículos por meios alternativos, designadamente, através do Porto de Leixões e dos portos espanhóis de Vigo e Santander.

De acordo com a empresa, trata-se de uma solução temporária, que permite minimizar os atrasos mas que não resolve o problema, porque não dá resposta às necessidades de escoamento da produção da fábrica de Palmela.

Caso o Porto de Setúbal continue parado por muito mais tempo, a Autoeuropa admite mesmo uma paragem de produção, uma vez que já está a utilizar todos os locais de parqueamento que tem disponíveis, incluindo o parque da fábrica de Palmela, a zona portuária de Setúbal e a Base Aérea do Montijo, no distrito de Setúbal.

Mais de 90 trabalhadores eventuais do porto de Setúbal que são contratados ao turno, alguns há mais de 20 anos, não comparecem ao trabalho há mais de uma semana, situação que deixa o porto de Setúbal praticamente parado, uma vez que os operadores portuários em causa têm apenas cerca de 10% de trabalhadores efetivos.

A maioria dos trabalhadores portuários, cerca de 90%, não tem qualquer vínculo com os operadores portuários, nem quaisquer regalias além do salário que auferem, e são contratados ao turno, apesar de exercerem a atividade praticamente todos os dias, alguns deles, há mais de 20 anos.

No passado dia 27 de outubro, a Operestiva, Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal, e a Yilport Setúbal (Sadoport) tentaram celebrar um contrato de trabalho sem termo com 30 dos 93 trabalhadores eventuais em causa, mas apenas dois aceitaram as condições propostas.

A maioria dos trabalhadores eventuais contratados regularmente pela Operestiva reivindica um contrato coletivo, a negociar entre o Sindicato dos Estivadores e os operadores portuários.

Confrontada com a situação no porto de Setúbal, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirmou hoje que a contratação coletiva “não é uma matéria” do Governo, mas sim dos operadores privados.

Ana Paula Vitorino disse também que os portos nacionais “são uma peça fundamental para a economia” e garantiu que “o Governo tudo fará para que os portos nacionais continuem a desempenhar as funções para que existem e para que se possam retomar as condições de normalidade”.

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