InícioNotícia escrita porAndré Barata, Filósofo, Universidade da Beira Interior

O pior de todos os préstimos para os quais se usou o caso Robles foi para abrir de par em par as portas ao imoralismo, defendendo que, além do seu desempenho estritamente político, tudo o que os políticos façam ou deixem de fazer é politicamente irrelevante.

Os paralelismos entre Portugal e Grécia não têm nada de obsceno. O que é obsceno é associar resgates a incêndios para, sobre uma coincidência, montar um juízo de culpa que atinge portugueses e gregos.

Há uma dimensão do problema a montante, de que também os media são reflexo, e que consiste numa intolerância crescente, que já não é apenas religiosa ou cultural, mas intolerância ao mínimo sacrifício do nosso estilo de vida em prol de outros.

A autonomia universitária devia, em primeiro lugar, ser uma cultura de autonomia, de repúdio da cultura de governação e de financiamento que tem estado em exercício. Assim, não dá.

Pensámos demasiado o ser-se vítima da maneira como um homem branco seria vítima. Mas há formas de ser vítima que as maiores vítimas sofreram, tendo, no entanto, sido espoliadas da possibilidade de se conceberem dessa maneira.

Falhar-nos a autonomia no momento do fim da vida é trair-nos a vida inteira. Se esta escolha é tão central e absolutamente inviolável para uns não é razoável que o deixasse de o ser para outros.

A reviravolta do entendimento dos juízes tem pouco que ver com a inconstitucionalidade do que antes já haviam considerado constitucional. Tem que ver sim com a perceção de uma reviravolta, pela qual a PMA deixou de ser apenas um método de recurso para situações de infertilidade.

Faz falta a Lisboa um grande museu sobre a expansão marítima e todas as suas consequências. E também faz falta um museu que descolonize definitivamente os museus, que devem ser lugares de conhecimento e não lugares ao serviço de narrativas encomiásticas.