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Qaestum Capital
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Qual deve ser a discussão em torno da inflação?

Há claramente muito para pensar e a discussão que temos observado ao longo dos últimos meses em pouco ou nada acrescenta na resolução do problema. Apela-se sim a uma discussão o mais imparcial possível e sem cores ideológicas, com o objetivo de compreender o que de melhor fazer daqui para a frente.

E se os bancos centrais alterassem o target de inflação para 4%?

A realidade é que esta discussão já começou há mais de uma década e só agora vimos algumas mudanças nas frameworks de diversos bancos centrais. A Fed, por exemplo, concluiu recentemente a sua primeira revisão do quadro que tinha vindo a utilizar desde 2012 para conduzir a sua política monetária. A alteração do target de inflação para 2% em média, abre espaço a que a inflação seja superior ao objetivo pelo tempo que for necessário até atingir a planeada média – isto aproxima a recente política daquilo que tem vindo a ser cada vez mais predominante a nível académico – um target de inflação mais elevado.

Como deve ser realizado um investimento em infraestruturas

O Global Infrastructure Hub – uma iniciativa do G20 – revela que se o investimento em infraestruturas não se adaptar às novas tendências, o seu défice ao longo dos próximos 20 anos poderá ser de 15 triliões de dólares. Estes fatores têm a capacidade de alterar o debate sobre as infraestruturas a nível global e é nesse sentido que se espera que os decisores políticos apontem as baterias.

Serão os bancos centrais os culpados pelas desigualdades sociais?

Não é óbvio que os bancos centrais sejam aqueles que mais contribuem para as desigualdades de rendimentos. Mas, em termos de equilíbrio, e apesar da falta de literatura que existe em torno do tema, é provável que as baixas taxas de juro estejam mais a moderar as desigualdades em vez de as exacerbar. Já seria bastante razoável que toda a história fosse contada quando existem intervenientes que culpam os bancos centrais pelas desigualdades existentes. Ou que pelo menos, dois terços da população mundial não fosse ignorada.

Como monitorizar a economia americana?

Mesmo com a procura da economia americana a regressar mais rápido do que a oferta, é normal que a primeira influencie a segunda positivamente. Se isso acontecer e os salários reais não saírem afetados, é até possível que a tendência de crescimento das principais variáveis económicas acabe por ser, a médio-prazo, superior às taxas observadas antes da pandemia. Existem, no entanto, diversos fatores que podem afetar um desfecho risonho e que devem ser então monitorizados com a devida atenção.

Um olhar mais profundo sobre a inflação

Não existe qualquer tipo de incoerência com aquela que tem sido a mensagem principal do banco central de que esta inflação é maioritariamente temporária. Apesar de tudo apontar para uma diminuição da inflação ao longo deste ano, se o mesmo não acontecer, é possível voltar a observar antecipações de taxas. Apenas se os preços não caírem num horizonte de dois anos poder-se-á potencialmente dizer que a Fed esteve errada este tempo todo.
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