Bancos não avaliam capacidade financeira dos consumidores antes de concederem crédito

O alerta é dado pelo Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

A capacidade financeira dos consumidores não está a ser avaliada. Os pedidos de ajuda das famílias com dificuldades financeiras, recebidos na DECO, têm aumentado.

“Efetuámos o diagnóstico da situação financeira dessas famílias e apurámos que uma parte significativa destas pedem ajuda para a renegociação de créditos concedidos  em 2018, encontrando-se já numa situação económica difícil, portanto manifestavam causas que as impossibilitavam de contrair mais crédito”, alerta a Associação de defesa do consumidor.

“Concluímos que as entidades bancárias não estão a cumprir com o dever de avaliar a capacidade financeira dos consumidores antes da concessão de crédito”, sublinha a Deco.

Vejamos o exemplo da família Silva

Um dos elementos do agregado familiar Silva reformou-se antecipadamente por motivos de saúde em  2018 e o cônjuge está numa situação trabalho temporário desde 2014, data em que ficou desempregada.

Neste cenário, e ainda em 2018, foram concedidos à família Silva um crédito automóvel e um crédito pessoal, sendo ainda titulares de um crédito à habitação e de 3 cartões de crédito. A sua taxa de esforço é agora de 97% e seu rendimento é de 1.300€

Avaliando a situação profissional da família Silva, ou seja, o referido rendimento e taxa de esforço, verificamos que não deveria ter contraído crédito desde 2014, mas as instituições bancárias concederam-lhes  crédito em 2015, 2016, 2017, 2018.

Perante este caso real e tantos outros que chegam ao nosso Gabinete de Proteção Financeira, será que houve lugar à avaliação da sua capacidade financeira?

O Banco de Portugal definiu procedimentos e critérios que devem ser aplicados pelas instituições de crédito na avaliação da solvabilidade dos consumidores aquando da concessão de crédito. Porém, as instituições bancárias não estão a seguir esses procedimentos, nomeadamente na concessão de cartões de crédito, créditos pessoais e crédito automóvel.

Defendemos que é fundamental que se conceda e se recorra a crédito de forma responsável e para  que isso se verifique é necessário que as  entidades de crédito procedam antecipadamente à avaliação de solvabilidade das famílias. Consideramos ainda que é necessário que essa avaliação seja sempre realizada, independentemente do tipo de crédito a contratar.

Informe-se bem aqui.

 

Ler mais
Recomendadas

Última chamada: Acabam hoje as candidaturas para apoios ao arrendamento jovem

O apoio ao arrendamento jovem é concedido por 12 meses, mas agora pode ser renovado até cinco anos, em vez dos anteriores três anos.

Número de desempregados inscritos no IEFP cai 14,6% em abril

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego foi em abril de 321.240, uma descida homóloga de 14,6% e um recuo de 3,8% face a março, divulgou esta terça-feira o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Taxa de juro no crédito à habitação em máximos de junho de 2016

A taxa de juro nos contratos do crédito à habitação aumentou pelo quinto mês consecutivo, dos 1,066% em março para os 1,073% registados no passado mês de abril.
Comentários