Banque de Dakar vai lucrar 4 milhões este ano

Foi criado de raiz na capital do Senegal em junho de 2015 e cumpriu objetivo de resultados.

O banco BDK tem actualmente três acionistas: o Grupo BDK, a Coris Holding (Burkina Faso) e o Groupe Prestige do Senegal. É uma premissa dos investimentos do grupo BDK atingirem o ‘break-even’ operacional ao fim de um ano e isso foi o que aconteceu com o Banque de Dakar.

Filipe Ribeiro Ferreira, administrador do grupo, que pertence maioritariamente a uma holding do empresário espanhol Alberto Cortina e que tem como presidente Alfredo Saénz (ex-vice presidente do banco Santander), explica a escolha da região da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).

“É uma região com um Produto Interno Bruto (PIB) de 91 mil milhões de dólares de PIB [dados de 2013], 80 milhões de habitantes e estabilidade cambial e legislação estável”. A Nigéria surge em segundo lugar nos países de África com maior PIB (343 mil milhões de dólares), quase tanto como a África do Sul (361 mil milhões de dólares), segundo os dados de 2013. A UEMOA supera assim Angola, que nessa altura ainda não tinha passado pela crise do petróleo e que valia, em termos de PIB, 148 mil milhões de dólares. A expectativa é que a região da UEMOA até 2020 seja a zona com maior crescimento do continente africano.

Como consegue o grupo obter as autorizações necessárias para poder abrir operações bancárias naqueles países? “Nesta altura, não é preciso chegar ao poder político para se conseguir as autorizações. Graças a Deus, nestas regiões os bancos centrais são completamente autónomos, não são politizados. As relações com o poder são importantes apenas por questões institucionais, mas nós temos o melhor embaixador que poderíamos ter, que é o Bernard Kouchner [administrador do grupo] que para além de ter sido membro de vários governos franceses, foi o criador dos Médicos sem Fronteiras”, diz Vasco Duarte Silva.

A gestão dos bancos é feita pelos ‘boards’, que são compostos por membros do grupo em Portugal e por gestores locais. Vasco Duarte Silva e Filipe Ribeiro Ferreira estão praticamente em todasas administrações dos bancos, mas como não-executivos, passando metade do tempo em viagem para reuniões dos conselhos de administração.

Luís Sousa, que está à frente do projecto Kash Kash, que arrancará no fim de junho na Costa do Marfim para mais tarde se expandir para outros países, passou pelo Citibank e pelo Santander, tal como Vasco Duarte Silva. Senegal, Costa do Marfim, Mali, Guiné Conacry, Benin e Burkina Faso. Não são projectos demais? “Sim, mas temos o compromisso de montar a entidade financeira mais importante da UEMOA em cinco anos e não temos outra forma senão de crescer a este ritmo”, diz Vasco Duarte Silva.

As equipas de desenvolvimento, gestão e controlo são 100% portuguesas. Mas as equipes de gestão são 100% locais. No Banco de Dakar só existe uma pessoa que não é senegalesa (é francesa) e que já vivia no Senegal. Ou seja, não existe o conceito de “expatriados”.
Os bancos Credit Kash têm como balcões contentores em módulos desmontáveis e angulares, o que faz com que o investimento em Capex seja mais baixo do que seria de esperar (entre dois a três milhões de euros). Mas o investimento na sede do BDK, em Dakar, foi de 15 milhões de euros, explica Filipe Ribeiro Ferreira.

A vantagem para a economia portuguesa é que os fornecedores de toda a constituição dos bancos são portugueses, revelam os gestores. À excepção de uma empresa de tecnologias de informação que o grupo adquiriu no Senegal para desenvolver o software do Kash, Kash.
Ao nível de aquisições, o grupo “poderá ver em áreas específicas a possibilidade de comprar alguma entidade que possa ser complementar à estrutura existente (tanto sinergias positivas) de criação de negócio como de redução de custos”, explicam os gestores.

Ler mais
Recomendadas

PremiumFidelidade procura nova sede em Lisboa

Seguradora precisa de mais de 30 mil metros quadrados para concentrar serviços e está a analisar duas possibilidades, em Benfica e na Expo.

CTO da Fujitsu: “Os bancos estão a tornar-se empresas tecnológicas”

Pascal Huijbers, Chief Technology Officer for Financial Services EMEIA da Fujitsu, explicou em entrevista ao Jornal Económico a importância da cooperação da banca tradicional com as fintech, bem como das criptomoedas e da blockchain.

Santander investigado por fraude fiscal que terá custado cerca de 10 mil milhões de euros à Alemanha

A justiça alemã enviou uma carta ao Santander informando que os espanhóis eram suspeitos de”planear e executar transações” que facilitaram uma “massiva evasão fiscal” entre os anos de 2007 e 2011.
Comentários