BCE alerta que países com dívida elevada poderão sofrer nos mercados caso a economia desacelere

Portugal é o terceiro país com maior nível de endividamento face ao produto interno bruto da zona euro - atrás da Grécia e Itália -, pelo que está na linha da frente quanto as estas vulnerabilidades.

Ralph Orlowski/Reuters

As vulnerabilidades do sistema financeiro na zona euro estão a aumentar e o Banco Central Europeu (BCE) alerta para os riscos para as dívidas soberanas. O setor está mais sólido devido às melhorias macro-económicas, mas a desaceleração do crescimento ou a políticas orçamentais menos restritivas poderão comprometer o investimento.

“O setor soberano da zona euro tornou-se mais resiliente graças às melhorias do outlook macro-económico, que ajudou a manter baixos custos de financiamento em alguns países”, refere um relatório do BCE sobre a estabilidade financeira na zona euro, publicado esta quinta-feira.

“É esperado que o equilíbrio orçamental subjacente e o endividamento de países da zona euro melhore nos próximos anos, apoiado pelas vantajosas condições cíclicas. No entanto, a deterioração do ambiente de crescimento ou o relaxamento do posicionamento orçamental em países muito endividados poderá ter impacto no outlook orçamental e, como consequência, no sentimento do mercado face a emitentes soberanos da zona euro”, alerta.

Portugal é o terceiro país com maior nível de endividamento face ao produto interno bruto da zona euro – atrás da Grécia e Itália -, pelo que está na linha da frente quanto as estas vulnerabilidades.

Quanto às avaliações, a instituição liderada por Mario Draghi explica que começam a aparecer “bolsas de avaliações esticadas”, particularmente em obrigações com menor notação e em determinados mercados imobiliários. Sobre a banca, refere que, apesar das melhorias, persistem baixos níveis de rentabilidade. “As vulnerabilidades estão a acumular-se nos mercados financeiros globais”, sublinha.

Apesar dos alertas, o BCE nota que os riscos sistémicos para a estabilidade financeira da zona euro se têm mantido baixos nos últimos seis meses. O ambiente favorável impulsionou as perspetivas de crescimento, não só dentro do bloco, mas também fora.