BCP arrasta Bolsa de Lisboa para perdas. Europa fecha mista

Segundo o Eurostat Portugal continua a apresentar a terceira maior dívida pública (123,0% do PIB), depois da Grécia (181,9%) e da Itália (134,0%). Isto penalizou sobretudo bolsa italiana e a dívida soberana de Itália. No PSI 20 a queda de mais de 2% do BCP é justificada em parte pelo facto de o DjStoxx Banks ter a pior performance do dia.

As ações do BCP tombaram -2,328% para 0,2736 euros e foi o título que mais caiu na última sessão da semana.Várias notícias contribuíram para esta queda. Desde logo a estimativa do CaixaBank BPI de que os resultados do segundo trimestre iriam cair muito (90% para 15 milhões) por causa da factores não recorrentes, como por exemplo a compensação aos trabalhadores que viram os salários cortados no tempo da troika em que o banco recebeu ajuda do Estado; e ainda a consolidação do polaco EuroBank.

Depois a notícia de um jornal angolano de que a Sonangol estaria a concluir um plano estratégico que passa por vender participação no BCP. A petrolífera e o banco português desmentiram, mas ficou a pulga atrás da orelha dos investidores.

Já os analistas do BPI dizem que o comportamento de hoje do BCP parece estar mais relacionado com a fraqueza alargada do setor bancário europeu.  “Pela negativa, a contínua compressão da diferença entre taxas de juro de curto e médio prazo justificaram a queda do DjStoxx Banks, o pior performer do dia”, refere a análise do BPI.

Os CTT fecharam a deslizar -0,5% para 2,010 euros; a EDP perdeu -0,50% para 3,370 euros; a EDP Renováveis recuou -0,33% para 9,19 euros; a REN também fechou a perder -0,59% para 2,510 euros.

“As yields nacionais voltaram a descer nos mercados da dívida mas quer a REN quer a EDP não conseguiram refletir esse movimento”, referem os analista do BPI.

Pela positiva destacam-se a Jerónimo Martins que subiu 0,51% para 14,9 euros; a Mota-Engil que subiu 0,53% para 1,899  euros; e a Sonae Capital valorizou 0,83% para 0,728 euros. A Navigator também fechou no verde ao subir 0,38% para 3,174. Idem para a Ibersol que subiu 0,25%.

Os mercados europeus abriram em alta, refletindo as palavras proferidas por dois membros da FED defenderam que o banco central deverá descer as taxas diretoras se a situação da economia ou a conjuntura internacional o justificarem, ontem após o fecho da sessão europeia, mas acabaram por fechar mistas.

O Stoxx 600 subiu 0,11% ao passo que o Euro Stoxx 50 fechou negativo (-0,08% para 3.480,18 pontos). Praça a praça o comportamento foi misto. O FTSE 100 valorizou 0,21% para 7.508,7 pontos; o CAC 40 ganhou 0,03% para 5.552,34 pontos; o DAX subiu 0,26% para 12.260 pontos, mas o italiano FTSE MIB tombou 2,03% para 21.641,5 pontos.

O PSI 20 fechou a perder 0,35% para 5.202,23 pontos e o IBEX também fechou em queda de 0,60% para 9.170,5 pontos.

O BPI destaca, a nível sectorial, as empresas mineiras, que lideraram os ganhos do DJStoxx600. “A motivar esta valorização esteve a forte valorização que o ouro, a prata e outros metais preciosos registaram desde o início da semana”, diz o analista do BPI.

Em termos macroeconómicos salientam-se os indicadores coincidentes do Banco de Portugal que revelam que em junho de 2019, o Indicador Coincidente Mensal da Atividade Económica variou 2,2% anualmente, mantendo-se no mesmo nível  relativamente ao mês anterior.

Destaque ainda para o Défice Zona Euro e União Europeia do Eurostat. No 1º trimestre de 2019, o saldo orçamental de Portugal fixou-se nos 0,4% do PIB (-1,2% no 4º trimestre de 2018 e -0,8% no 1º trimestre de 2018). O défice da UE a 28 fixou-se em 0,6% do PIB (1,0% no 4º trimestre de 2018 e 0,6% no 1º trimestre de 2018). Ainda no 1º trimestre de 2019, o défice orçamental, corrigido de efeitos de sazonalidade e em percentagem do PIB, da Zona Euro fixou-se em 0,5% do PIB (1,1% no 4º trimestre de 2018 e 0,3% no 1º trimestre de 2018).

Também a Dívida Pública Zona Euro e União Europeia foi hoje divulgada pelo Eurostat. No 1º trimestre de 2019, a Dívida Pública em Portugal situou-se em 123,0% do PIB (121,5% no 4º trimestre de 2018 e 125,4% no 1º trimestre de 2018).

Segundo o Eurostat, no 1º trimestre de 2019, a Dívida Pública em percentagem do PIB no conjunto dos países da Zona Euro (19) situou-se em 85,9% (85,1% no 4º trimestre de 2018) e na UE a 28 situou-se em 80,7% (80,0% no 4º trimestre de 2018). Em relação ao período homólogo (1º trimestre de 2018) registou-se um decréscimo de 1,2 p.p. da Dívida Pública da Zona Euro e um decréscimo de 0,9 p.p. na UE a 28.

Ou seja,  na zona euro a dívida pública estabeleceu-se nos 85,9% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos 87,1% do primeiro trimestre de 2018, mas com um ligeiro agravamento face aos 85,1% do PIB registados entre outubro e dezembro últimos. Já na UE, o rácio da dívida foi de 80,7% do PIB, abaixo dos 81,6% homólogos mas superior ao de 80,0% do quarto trimestre de 2018.

Isto é, as dívidas públicas da zona euro e da União Europeia (UE) recuaram no primeiro trimestre do ano face ao período homólogo, mantendo Portugal o terceiro lugar dos países mais endividados, divulgou hoje o Eurostat.

Portugal continua a apresentar a terceira maior dívida pública (123,0% do PIB), depois da Grécia (181,9%) e da Itália (134,0%).

A dívida soberana está em queda, exceto em Itália que sobe. A dívida alemã cai 1,6 pontos base para 0,513%; a dívida a 10 anos de Portugal está a cair 1,3 pontos base para uma yield de 0,459% e a espanhola recua 1,7 pontos base para 0,388%.. A dívida italiana dispara 5 pontos base para 1,605%.

O Brent sobe 0,18% para 62,04 dólares e o crude WTI cai 0,29% para 55,14 dólares.

O euro cai 0,43% para 1,1228 dólares.

Ler mais

Recomendadas

Emprego norte-americano dá ânimo a Wall Street

Em novembro, foram criados 266 mil novos postos de trabalho nos Estados Unidos, 47% acima das estimativas, que apontavam para a criação de 180 mil novos empregos. A taxa de desemprego caiu mais do que o era esperado, para os 3,5% – previsa-se que ficasse nos 3,6%, idêntica à taxa registada no mês de outubro.

Wall Street sem gás à espera de dados económicos

Um número que a ser alcançado não belisca a ideia bem estabelecida nos analistas de que é a força do mercado de trabalho que está a sustentar o crescimento económico.

China quer dominar reconhecimento facial

Os temas mais sensíveis entre os EUA e a China têm mais relação com supremacia tecnológica do que com tarifas. O objetivo é desenvolver e dominar o setor da Inteligência Artificial a nível global.
Comentários