BCP e papeleiras na mira dos investidores

O principal índice da bolsa nacional registou nos primeiros seis meses o seu melhor semestre em dois anos. E, apesar de cinco empresas representarem 60% do índice, tem oportunidades de investimento.

FILE PHOTO: Traders work on the floor at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, U.S., May 7, 2019. REUTERS/Brendan McDermid

No primeiro semestre deste ano, o PSI-20, o principal índice bolsista nacional, registou ganhos de mais de 8% nos primeiros seis meses do ano, como explicam os especialistas ouvidos pelo Jornal Económico. “Registou o seu melhor semestre em dois anos, tendo registado a terceira subida semestral seguida”, salienta Nuno Caetano, analista de mercados da Infinox.

Mas a maioria ressalva que os ganhos do PSI-20 ficaram longe das congéneres europeias. A variação positiva do índice nacional “representa um sub-desempenho se compararmos com o Eurostoxx 50, que registou +15,73% ou o Eurostoxx 600, com mais de +13,98”, salienta João Queiroz, head of online banking, GoBulling, Banco Carregosa.

Entre os principais índices europeus, só Ibex 35, de Espanha, valorizou menos que o PSI-20, frisa Nuno Caetano.

Num horizonte mais alargado, Emília Vieira, fundadora e CEO da Casa de Investimentos, lembra que “nos últimos dez anos, o PSI-20 teve uma rentabilidade total de -8,1%, que compara com uma valorização do índice europeu de cerca de 106%”.

Os ganhos do principal índice nacional deveram-se, em parte, à “subida do BCP, uma vez que regressou aos lucros e à distribuição de dividendos”, assinala Pedro Lino, analista da DiF Broker, que considera que o PSI-20 “ um índice pouco diversificado em termos de setores e muito concentrado, uma vez que cinco empresas representam mais de 60% do índice”. E reforça que “o facto de ser um índice pouco representativo da economia e com empresas pouco líquidas, limita o interesse dos investidores”.

Ainda assim, o PSI-20 tem algumas oportunidades de investimento. João Pisco, head of research do Bankinter, aponta para o BCP e para a papeleira Navigator, “cujas cotações atuais em bolsa representam um desconto injustificado face ao setor”.

Pedro Lino segue na mesma linha, frisando que “as empresas que estão mais expostas à retoma da economia nacional e preparadas para o mercado exportador são o BCP, a Navigator e as empresas de distribuição”.

Sobre o banco, Nuno Caetano, revela que tem “assistido à recomendação de compra por vários bancos de investimento, numa onde de valorização”. Quanto à papeleira, liderada atualmente por João Castello Branco, o analista da Infinox considera que “representa um ativo interessante de investimento, dada a solidez do seu negócio e a forte geração de cash-flow e apresenta um dividendo atrativo e sustentável, com um payout de 89%”.

Ainda na indústria papeleira, Nuno Caetano indentifica a Altri. “Após duplicar os lucros em 2018, a empressa decidiu aumentar o seu dividend yield para os 10,1%, sendo o seu payout ratio de 76%”, diz o analista da Infinox.

Também merece menção o setor energético, liderado pela Galp devido à “recente subida dos preços do petróelo, que aliada a um aumento de produção, deverá traduzir-se num crescimento robusto dos resultados”, salienta João Pisco.

E no transporte de energia, a Infinox destaca a REN como “uma das melhores empresas para quem é avesso ao risco, dada a sua pouca volatilidade, mas também pelo facto de dar um rendimento em divididendos próximos dos 7%, um dos mais elevados da bolsa portuguesa”.

Fora deste prisma, João Queiroz diz que atual conjuntura económica internacional leva a assumir “algum conservadorismo, pelo que iria privilegiar o setor papeleiro, das utilities e dos serviços de telecomunicações”.

Nas capitalizações mais pequenas, Pedro Lino encontra oportunidades, “mas com mais risco de liquidez”. “Neste campo, a Sonae Capital, Sonae Industria e Corticeira Amorim podem apresentar oportunidades de longo prazo interessantes”, diz o analista da DiF Broker.

Tendo em conta o horizonte alargado de investimento, a Casa de Investimento tem investido “em ações da Sonae SGPS, a holding familiar controlada pela família Azevedo, que conta como principais ativos a operação de retalho alimentar e especializado em Portugal, a participação na empresa de telecomunicações Nos e a participação na empresa de imobiliário comerciail, Sonae Sierra”, explica Emília Vieira.

“Consideramos que o preço atual a que cota proporciona um bom desconto face à estimativa de valor intrínseco”, explica a gestora de ativos. “A operação de retalho goza de uma posição dominante em Portugal, margens de rentabilidade acima da média dos seus congéneres europeus e de uma estrutura de custos eficiente”.

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