BCP quase duplica resultado líquido para 257,5 milhões

O banco anunciou uma redução de 1,8 mil milhões de euros do stock da exposição a ativos problemáticos. O banco presidido por Miguel Maya destaca a “evolução muito favorável do resultado da atividade em Portugal” que contribuiu em cerca de 45% do total do lucro (114,9 milhões) .

Cristina Bernardo

O Millennium bcp apresentou esta tarde os resultados da sua operação durante os primeiros nove meses e registou um lucro de 257,5 milhões no acumulado do ano até setembro, o que traduz um aumento de 93,1% em termos homólogos.

O banco presidido por Miguel Maya destaca a “evolução muito favorável do resultado da atividade em Portugal” que contribuiu em cerca de 45% do total do lucro (114,9 milhões) e cresceu  142% em termos homólogos. A atividade internacional acompanhou este registo com uma subida de 7,2% e ascendeu aps 140,8 milhões de euros.

A margem financeira cresceu cerca de 3%, para 1.562,9 milhões de euros em termos consolidados. Na atividade em Portugal, a margem financeira situou-se nos 595,8 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2018, face aos 591,8 milhões contabilizados no período homólogo do ano anterior, “beneficiando da redução do custo do funding, nomeadamente da diminuição do custo da dívida emitida e da tendência de decréscimo da remuneração dos depósitos a prazo, não obstante a redução do rendimento gerado pelas carteiras de crédito e de títulos”, disse o banco.

As comissões líquidas ascenderam aos 510,1 milhões de euros, uma variação positiva de 3,1% Esta evolução beneficiou sobretudo do desempenho favorável da atividade em Portugal, cujas comissões aumentaram 4,4%. Em relação a outros proveitos – que incluem rendimentos de instrumentos de capital, outros proveitos de exploração líquidos, resultados em operações financeiras e resultados por equivalência patrimonial – o Millennim bcp apresentou um decréscimo de 6,2% devido à venda de ativos não performantes (non-performing exposures).

Os resultados em operações financeiras totalizaram 89,6 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2018, face aos 115,0 milhões de euros contabilizados em igual período do ano anterior, condicionados pelo desempenho da atividade em Portugal, devido maioritariamente ao efeito das vendas de crédito.Os custos operacionais subiram 8,6% para 742 milhões de euros.

O Millennium bcp sublinhou ainda a tendência favorável do custo do risco que baixou 31,4% para 88 pontos base (sendo que em Portugal baixou 34,2% para 102 pb)  com as imparidades a nível consolidado a decrescerem de 628,5 milhões para 431, 4 milhões.

Em relação à qualidade do crédito, Miguel Maya destacou a “redução importante dos NPE, com reforço da cobertura do crédito”. A cobertura total dos NPE foi de 107%, desagregada em: cobertura por imparidade de 48%; cobertura por colateral imobiliário de 44%; cobertura por colaterais financeiros de 14%; e cobertura por expected loss gap de 1%

O rácio NPE baixou 3,6 pontos percentuais para os 12,3% e o malparado baixou 1,9 pontos percentuais para 7,4%.

No total, os NPE decresceram 22,6%, isto é, 1,8 mil milhões, para 5,5 mil milhões de euros.  “Desde 2013 o banco tem vindo a reduzir este rácio”, disse Miguel Maya. Os NPE em Portugal descem para 5,5 mil milhões em 30 de setembro de 2018, uma redução de 1,2 mil milhões face ao final de 2017. A redução de NPE líquidos de imparidades passou de 9,8 mil milhões no final de 2013 para 2,9 mil milhões em 30 de setembro de 2018, disse Miguel Maya.

O rácio NPE incluindo títulos e extra-patrimoniais, de acordo com a Autoridade Bancária Europeia, fixou-se nos 8,8%.

Os recursos dos clientes obtiveram uma “forte dinâmica comercial”, tendo subido 5,5% para 72,8 mil milhões de euros. Em Portugal, os recursos dos clientes subiram 5,8%, em especial os depósitos à ordem, que aumentaram 2,8 mil milhões de euros e fixaram-se em cerca 19 mil milhões.

Já o crédito a clientes baixou em Portugal 0,8%, de 37,9 para 37,6 mil milhões de euros. No entanto, Miguel Maya frisou que “se retirarmos do balanço a redução de NPEs, em vez de uma redução de 0,8% do crédito a clientes, teríamos um acréscimo de 4,2%”. Do total da carteira de créditos, “300 milhões dizem respeito apenas ao final do trimestre anterior”, disse.

Isto é, a carteira de crédito performing em Portugal cresce 1,3 mil milhões (+4,2%) face a 30 de setembro de 2017. “Este crescimento foi principalmente impulsionado pelo forte desempenho do crédito a empresas, que aumentou 0,8 mil milhões, correspondentes a 65% do crescimento da carteira de crédito performing em Portugal face a 30 de setembro de 2017, destacando-se a produção de leasing (+76,9% face aos primeiros 9 meses de 2017) e de factoring (+23,0%)”.

Em relação à posição do capital, o Millennium bcp registou um CET1 fully implemented de 11,8%, três pontos percentuais acima do exigido pelo Banco Central Europeu em 2018.

 

Ler mais
Relacionadas

Miguel Maya: “Não vamos fazer mais aquisições até ao fim do mandato”

A administração do BCP garantiu ainda que esta aquisição não vai afetar a distribuição de dividendos que o banco pretende retomar, ainda sem decisão quanto ao rácio de pay-out, o BCP mantém a meta de 40% dos lucros a distribuir até 2021.
Recomendadas

Miguel Maya quer mais operadores a pagar fatura do Novo Banco

CEO do Millennium BCP recordou que desde janeiro o BCP já pagou 45 milhões de contribuições para o Fundo de Resolução e por conta do imposto especial sobre a banca e defende uma “solução mais equitativa”.

Sporting critica banca por não promover empréstimo obrigacionista

Francisco Salgado Zenha, vice-presidente e administrador da Sporting SAD, acusa a banca por não estar a apoiar a venda das obrigações da SAD sportinguista.

CEO do Novo Banco: “Aumento dos exportadores é estratégico”

António Ramalho, presidente do Novo Banco, considera que a maior dificuldade é a diversificação de mercados. “Essa diversificação passa por questões financeiras, onde o banco pode apoiar e naturalmente prende-se com garantias e trade finance”, afirmou, em entrevista ao Jornal Económico.
Comentários