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BEI e UCI vão financiar investimentos imobiliários ecológicos na Península Ibérica

O acordo permitirá à UCI gerar uma nova carteira de financiamento ecológico no valor de, pelo menos, 100 milhões de euros em Espanha e Portugal, que inclui hipotecas e empréstimos a particulares e a associações.
27 Maio 2020, 16h17

O Banco Europeu de Investimento (BEI) e a Unión de Créditos Inmobiliarios (UCI) uniram esforços para promover projetos de eficiência energética em Espanha e Portugal. Ambas as instituições preparam-se para financiar investimentos ecológicos na Península Ibérica, incluindo a reabilitação de edifícios existentes e a construção de novos imóveis de balanço energético quase nulo.

Estes investimentos serão possíveis porque a UCI disponibilizará créditos à habitação e empréstimos pessoais para melhorar a eficiência energética dos edifícios.

A instituição de crédito irá disponibilizar quatro linhas de produtos diferentes: empréstimos pessoais ecológicos para a reabilitação de condomínios; empréstimos pessoais ecológicos para a reabilitação de imóveis particulares; empréstimos hipotecários ecológicos para imóveis novos (classes energéticas A e B); e empréstimos hipotecários ecológicos para imóveis existentes (aquisição e reabilitação).

O acordo permitirá à UCI gerar uma nova carteira de financiamento ecológico no valor de, pelo menos, 100 milhões de euros em Espanha e Portugal, que inclui hipotecas e empréstimos a particulares e a associações.

Para o efeito, o BEI irá participar na tranche de prioridade superior de um título garantido por créditos hipotecários residenciais (RMBS), com um montante total de aproximadamente 100 milhões. A carteira titularizada foi originada pela UCI e é composta por empréstimos hipotecários portugueses existentes.

“Esta operação irá revigorar as capacidades de financiamento da UCI, para lançar e comercializar ativamente novas linhas de produtos no domínio das energias renováveis, alargando assim a capacidade financeira da UCI para conceder empréstimos à eficiência energética na região”, diz o banco em comunicado.

“Trata-se do primeiro projeto apoiado pelo BEI que envolve a constituição de uma carteira de novos empréstimos para a eficiência energética, que cumprem os requisitos estabelecidos pelo Banco da UE e pelo Plano de Ação para Hipotecas com Eficiência Energética (Energy Efficiency Mortgage Action Plan, EeMAP), uma iniciativa desenvolvida pela Federação Hipotecária Europeia e apoiada pela Comissão Europeia (CE)”, adianta o comunicado.

O apoio do BEI permitirá à UCI financiar a construção de edifícios de balanço energético quase nulo, bem como a reabilitação energética de imóveis residenciais em Portugal e Espanha, tendo como beneficiários finais os clientes particulares e as associações de proprietários.

O projeto ajudará a cumprir os objetivos de ação climática e poupança energética da região, e a atrair investimentos no domínio da eficiência energética, promovendo em simultâneo o mercado de capitais para os títulos garantidos por créditos hipotecários residenciais (Residential Mortgage-Backed Securities, RMBS) na Península Ibérica, especialmente em Portugal, onde a atividade de investimento neste domínio tem sido moderada desde a última crise financeira.

Segundo a UCI, estima-se que serão construídos novos edifícios com uma área aproximada de 25 mil m² e reabilitados imóveis com uma área total de 450 mil m² em Portugal e Espanha. Mais de 3.000 pessoas beneficiarão destes investimentos, prevendo-se uma poupança energética total de 43,7 GWh por ano, após a finalização do projeto. “Além disso, estima-se que os subprojetos venham a criar 1 230 postos de trabalho durante o período de construção”, adianta a instituição financeira.

Emma Navarro, Vice-Presidente do BEI responsável pela atividade em Espanha e Portugal e pela Ação Climática do Banco, refere no comunicado que  “apesar das circunstâncias difíceis que todos enfrentamos e de os nossos esforços estarem concentrados no combate à Covid-19, não perderemos de vista o objetivo do BEI de apoiar a transição da Europa para uma economia e uma sociedade com baixas emissões de carbono. É com grande satisfação que o BEI apoia esta operação inovadora, que estimula investimentos na eficiência energética em Portugal e Espanha e torna patente o compromisso do Banco de continuar a promover projetos ecológicos”.  E que “o BEI envidará os seus melhores esforços para assegurar que a recuperação europeia após a emergência de saúde seja centrada no clima e no ambiente”.

Já Roberto Colomer, Diretor Executivo da UCI, sublinhou que a colaboração com o BEI “no âmbito do projeto EEMI da Federação Hipotecária Europeia permitir-nos-á continuar a promover a eficiência energética e casas mais sustentáveis em Portugal e Espanha. A reabilitação de casas e edifícios na Europa é essencial para conseguirmos cumprir os objetivos do plano Horizonte 2030 para o desenvolvimento sustentável na UE, uma meta que a UCI está totalmente empenhada em atingir”.

“A recuperação da crise provocada pela COVID-19 deve assentar num novo paradigma ecológico, que garanta novas atitudes a nível económico e social. O ponto de partida será uma reavaliação do espaço e do ambiente em que vivemos, de uma forma totalmente diferente e, acima de tudo, sustentável. O investimento ecológico em edifícios será a peça central de um mecanismo que promoverá uma nova cultura no mercado”, defendeu Luca Bertalot, secretário-geral da Federação Hipotecária Europeia.

A Unión de Créditos Inmobiliarios (UCI) é uma instituição financeira que está presente em Espanha, Portugal, na Grécia e no Brasil (neste último país sob a forma de uma empresa comum com o Grupo Província).

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