Belgas em negociações para comprarem participação maioritária na Webhelp por 2,4 mil milhões

O grupo Webhelp está presente em Portugal desde 2015, contando, atualmente com um escritório em Lisboa e outro em Braga e empregando mil trabalhadores. O contact center de origem francesa já investiu quatro milhões nos dois escritórios e a sua operação em terras lusas representou em 2018 um volume de negócios de 26,7 milhões.

O Grupo Bruxelle Lambert (GBL) deu início a negociações exclusivas para aquisição da participação maioritária do fundo norte-americano KKR no grupo Webhelp por 2,4 mil milhões de euros, confirmou fonte oficial do grupo francês ao Jornal Económico esta quarta-feira, 17 de julho.

A informação obtida pelo JE – que será comunicada oficialmente pela Webhelp e pela GBL em breve – apenas refere que estão a decorrer negociações exclusivas, mas tratar-se-á de uma aquisição certa, destaca a fonte oficial da Webhelp.

A operação estará dependente de documentação legal, pelo que a aquisição da participação da KKR pela GBL deverá estar formalizada e concretizada no início de agosto. Devido à necessidade de autorizações regulatórias, a entrada da GBL na estrutura acionista da Webhelp deverá ocorrer no quarto trimestre de 2019.

O grupo Webhelp está presente em Portugal desde 2015, contando, atualmente com um escritório em Lisboa e outro em Braga. O contact center de origem francesa já investiu quatro milhões nos dois escritórios e a sua operação em terras lusas representou em 2018 um volume de negócios de 26,7 milhões. Em curso estão 29 projetos que são desenvolvidos a partir de Lisboa ou Braga.

Atualmente, a Webhelp Portugal conta com 1.005 trabalhadores em Portugal (755 no escritório de Lisboa e 250 no escritório de Braga),  mas a empresa tem o objetivo de chegar aos três mil empregados até 2021. Até ao final deste ano, a Webhelp Portugal prevê contratar até 400 novos trabalhadores.

Tal como o JE tinha noticiado, em 21 de junho, a Webhelp está em processo de alterações na sua estrutura acionista, com a KKR a querer alienar a sua participação.

A mudança na estrutura acionista não deverá provocar alterações na direção do grupo de externalização de serviços de apoio ao cliente (BPO, do inglês Business Process Outsourcing). Ou seja, com a entrada da GBL, Fréderic Jousset e Olivier Duha, que fundaram o grupo Webhelp em 2000, vão continuar a partilhar os cargos de presidente e chairman do grupo. As respetivas equipas de gestão também não vão sofrer modificações.

O grupo Webhelp é hoje uma das maiores empresas BPO da Europa, tendo operações em 35 países, recorrendo a uma rede de 50 mil trabalhadores. A operação global da Webhelp foi avaliada pelo “Financial Times” em dois mil milhões de euros, sendo que o grupo tem como objetivo faturar  1,5 mil milhões de euros em 2019. Os clientes do grupo gaulês são sobretudo empresas de telecomunicações, de media, de turismo, retalhistas e tecnológicas. A Vodafone e a Sky News são algumas das empresas que recorrem à Webhelp.

As perspetivas de crescimento deste grupo, que também está presente em Portugal, agradam à GBL e será essa a origem do interesse do grupo belga na posição até agora detida pelo fundo KKR – segundo a “Forbes France”, a participação maioritária do fundo KKR no grupo francês era de 55% em 2018.

Um “casamento” que chega ao fim de quatro anos
Com a saída do fundo norte-americano KKR da estrutura acionista da Webhelp, podendo passar a ser a GBL o novo detentor da maior fatia do grupo de BPO, concretizar-se-á a quinta alteração na estrutura acionista do grupo francês. O fundo KKR entrou na Webhelp há cerca de quatro anos, quando a private equity britânica Charterhouse se desfez da sua posição maioritária, repartida entre a KKR e as lideranças do grupo. Antes, o controlo acionista da Webhelp passou também pela Equistone e pela Astorg.

Com a entrada do KKR em 2015, a Webhelp duplicou receitas e o número de funcionários em todo o mundo cresceu de 30 mil para 50 mil.

Esta companhia francesa especialista na ‘terceirização’ de serviços de gestão da relação empresa-cliente, e que fatura mais de mil milhões de euros por ano, cresceu através de diversas aquisições e vendas das suas participações acionistas.

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