BICV está a trabalhar com governo para posicionar Cabo Verde como praça financeira internacional

Em declarações ao Jornal Económico Cabo Verde, Sohail Sultan, presidente executivo do iibg e que também assume a presidência do BICV, explicou que a aquisição do banco cabo-verdiano se insere na estratégia do grupo de desenvolver bancos e sociedades em mercados da África, Médio Oriente e Ásia.

O novo dono do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV) está a trabalhar com o governo para posicionar o arquipélago como uma praça financeira internacional para a África Ocidental.

O BICV, antigo Banco Espírito Santo (BES) de Cabo Verde, passou a ser controlado pelo Internacional Investiment Bank Group (iibg), uma sociedade financeira sediada no Reino de Bahrain, que adquiriu 90% do capital da instituição financeira cabo-verdiana.

Em declarações ao Jornal Económico Cabo Verde, Sohail Sultan, presidente executivo do iibg e que também assume a presidência do BICV, explicou que a aquisição do banco cabo-verdiano se insere na estratégia do grupo de desenvolver bancos e sociedades em mercados da África, Médio Oriente e Ásia.

Neste momento, além Reino de Bahrain e de Cabo Verde, o iibg tem bancos no Djibuti.

Sohail Sultan afirma que o BICV está focado no mercado cabo-verdiano, mas com olhos postos nas valências do país em termos de capacidade para funcionar como um hub para atrair novos investimentos e chegar ao mercado da África ocidental, com maior população.

“Estamos a trabalhar em conjunto com os parceiros locais e internacionais, em particular com o Governo de Cabo Verde, no sentido de permitir que o país se posicione como uma futura praça financeira internacional, designadamente para a região da África Ocidental”, disse Sultan.

O empresário esteve na Cidade da Praia para vários encontros com as autoridades cabo-verdianas, nomeadamente como o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia.

Em declarações ao Jornal Económico Cabo Verde, Sohail Sultan explica que a escolha do arquipélago foi feita depois de serem avaliados os riscos e potencialidades que o país tem, nomeadamente “a estabilidade política, sistema democrático que funciona e uma economia com potencialidade de crescimento”, apontou.

Banco quer crescer e vai aumentar capital

César Ferreira, administrador do BICV, explica que o mais importante nesta fase de refundação é a instituição financeira focar-se nos objetivos traçados.

Depois da medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo (BES), o BES Cabo Verde ficou na esfera do Novo Banco, que vendeu 90% do capital da instituição financeira cabo-verdiana ao iibg, mantendo a titularidade do restante capital.

Neste processo, o BICV registou prejuízos nos exercícios de 2016 e 2017, que se deverão manter ainda em 2018, segundo os seus responsáveis. César Ferreira diz que acredita que os próximos dois anos serão de recuperação.

O BICV pretende aumentar o número de trabalhadores, que é neste momento de 25 e passar a ter mais do que os dois atuais balcões. Planeia, também, aumentar ao longo dos próximos dois anos o capital do banco, que é neste momento de 14 milhões de euros.

“É nosso desejo que os próximos dois anos tragam um crescimento do banco, na sua dimensão e principais indicadores – ativo, crédito e depósitos de clientes –, assim como um natural aumento do seu número de empregados, contribuindo desta forma para a criação de emprego e formação de jovens quadros bancários nacionais”, explica.

Sohail Sultan reforçou que o processo de refundação da instituição financeira passa “por renovar e expandir a atual rede de balcões, reposicionando o banco no sector bancário em Cabo Verde e integrando-o na filosofia do iibg, no sentido de desenvolver a sua oferta e posicionamento junto de particulares e empresas, nacionais e internacionais”.

Ler mais
Relacionadas

BCV aprova participação da sociedade do Bahrein no capital do Banco Internacional de Cabo Verde

O Banco de Cabo Verde (BCV) já aprovou a participação do IIBG Holdings B.S.C no Banco Internacional de Cabo Verde (antigo BES Cabo Verde), passando a sociedade do Reino do Bahrain a deter 90% do capital social do banco cabo-verdiano.
Recomendadas

Nove empresas entram no capital do transporte marítimo de Cabo Verde

Um grupo de nove armadores (Cabo Verde Fast Ferry, Polaris, Adriano Lima, Verdemar, Santa Luzia Salvamento Marítimo, Jô Santos & David, União de Transportes Marítimos, Oceanomade e Aliseu) assumiu 49% do capital social da Inter-ilhas, que tem como sócio maioritário a portuguesa Transinsular.

Governo de Cabo Verde: “Assédio a turistas não vai continuar a ser tolerado”

O líder do executivo cabo-verdiano propõe ainda que a problemática da sustentabilidade do turismo seja vista na ótica de oportunidades.

Presidente de Cabo Verde lança livro em Portugal

A obra, intitulada “A Sedutora Tinta de Minhas Noutes”, é apresentada esta terça-feira no Teatro Almeida Garrett, na Póvoa do Varzim.
Comentários