BlackRock considera que vulnerabilidades financeiras “são baixas”

Segundo os analistas no “Macro and market perspectives”, o crescimento económico é a chave para o ‘outlook’ do mercado financeiro, realçando que o abrandamento da economia se insere num quadro de ciclo económico.

Eduardo Munoz/Reuters

Os receios de uma nova recessão são exagerados, apesar do abrandamento da economia mundial. O argumento é da BlackRock no “Macro and Market Perspectives”, que antecipa que apesar da menor expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a economia continuará a crescer.

“Os receios de uma recessão são exagerados, na nossa opinião”, salientam os autores do relatório, Philipp Hildebrand, Elga Bartsch e Jean Boivin. “As vulnerabilidades financeiras são baixas e os principais bancos não necessitam de responder agressivamente às pressões inflacionistas. Isso dá-lhes flexibilidade para manter as condições monetárias fáceis”, referem.

A gestora de ativos explica que o impulso do estímulo orçamental dos EUA está a diminuir, mas estas medidas estão a aumentar na China e na Europa.

“Os riscos para o crescimento incluem condições financeiras mais rígidas e crescentes vulnerabilidades financeiras, aumentando a hipótese de uma recessão nos EUA. A China pode lutar para compensar a economia na sequência da guerra comercial, enquanto a Europa é vulnerável a perturbações do comércio global”, refere.

Segundo os analistas, o crescimento económico é a chave para o ‘outlook’ do mercado financeiro, realçando que o abrandamento da economia se insere num quadro de ciclo económico.

“A próxima recessão pode ainda estar a anos de distância, como defendemos na nossa “Perspectiva Macroeconómica Global” de maio de 2017 – mas talvez a apenas alguns, não vários”, realça.

A consultora refere que a economia norte-americana já se estaria a aproximar da fase do ciclo económico final no ano passado e que, seguindo a atual trajetória, entrará na fase de ciclo tardio durante o primeiro semestre de 2019.

Por outro lado, “a economia europeia exige apoio político à política monetária, dada a acentuada desaceleração da atividade económica no decorrer do ano passado e ainda a inflação subjacente muito moderada”. Vários fatores pontuais também pesaram, tais como novos padrões sobre a emissão de gases de automóveis, o impacto das eleições italianas nos juros e a recente tensão entre os ‘coletes amarelos’ e o governo em França.

“As condições financeiras mais restritivas podem empurrar o crescimento do PIB da zona do euro marginalmente abaixo da tendência se persistirem”, salienta, destacando que a Alemanha estagnou no segundo semestre de 2018. “Vemos o risco de uma recessão como remoto”, dada a política do BCE, os estímulos orçamentais e o fim de algumas medidas adversas one-offs. No entanto, o relatório reconhece que “os mercados podem ser abalados pela falta de alavancas políticas para combater uma nova desaceleração. A principal preocupação é provavelmente menos uma recessão real do que o fragmentado cenário político e financeiro”.

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