Bolsas europeias em queda, mas PSI 20 fecha em alta

As bolsas europeias encerraram divididas entre os ganhos dos índices ibéricos e as quedas do DAX e do CAC. A Mota-Engil (+2,56% para 1,766 euros) foi um dos melhores performers do PSI20, num movimento de recuperação depois das perdas de 4ª e 5ª feira.

Reuters

O mercado nacional encerrou em alta em contraste com os pares europeus.

A Mota-Engil (+2,56% para 1,766 euros) foi um dos melhores performers do PSI20, num movimento de recuperação depois das perdas de 4ª e 5ª feira. A Navigator  fechou a subir 1,68% para 3,872 euros.  Seguiu-se a Sonae a valorizar  1,54% para 0,858 euros e a EDP Renováveis com uma valorização de 1,40%  para 7,970 euros.

Destaque ainda para a Galp que subiu 1,07% para 14,650 euros.

Já o BCP (-0,41% para 0,2444 euros) e a Corticeira Amorim (-0,21% para 9,460 euros) foram os principais responsáveis pela ausência de uma subida mais pronunciado do mercado.

A Pharol, que hoje adiou mais uma vez a sua Assembleia Geral eleitoral, fechou a perder -0,53%.

Na Europa o sentimento negativo dominou os mercados, fundamentalmente devido ao comportamento do setor automóvel. O EuroStoxx 50 caiu 0,18% para 3.070,04 pontos.

“Em causa esteve o alerta dado pela Volkswagen que hoje se juntou à Daimler e à BMW num alerta dado sobre a incerteza relativa às condições económicas e ao custo da mudança para os carros elétricos que irão tornar 2019 um ano desafiante”, referem os analistas do BPI.

A Volkswagen terminou a sessão de hoje com uma perda de 1,89%.

“A Renault foi ainda influenciada negativamente pela notícia de que o antigo Presidente da Nissan, Carlos Ghosn, está acusado de má conduta financeira”, dizem os analistas do BPI.

O CAC 40 deslizou 0,51% para 3.744,5 pontos e o Dax desvalorizou 0,31% para 10.877,46 pontos.

“Expectativas de que as negociações entre EUA e a China cheguem a bom porto trouxeram otimismo, mas que foi parcialmente apagado pela revelação de que a produção industrial italiana seguiu a tendência de contração da alemã e francesa em novembro”, explica por sua vez o analista do BCP, Ramiro Loureiro.

O setor energético foi castigado pela inversão dos preços do petróleo, que à hora de fecho das praças europeias estavam a cair mais de 1%, depois de terem chegado a ganhar quase 2% durante a manhã e animado cotadas como a Galp Energia, adianta a mesma nota da Mtrader.

Entretanto, as preocupações do foro político também preocuparam os investidores. O jornal Evening Standard, com base em declarações do executivo, adiantou hoje a hipótese de adiar a concretização do Brexit prevista para as 23:00 do próximo dia 29 de março, uma posição assumida como forte possibilidade no seio do governo do Reino Unido. O índice britânico FTSE 100 fechou a perder 0,36% para 6.918,18 pontos.

No sul da Europa as notícias de que a produção industrial italiana segue tendência de contração alemã e francesa marcaram o ritmo. A bolsa de Milão fechou com queda ligeira (-0,06%).

A acompanhar a subida do PSI 20 esteve a bolsa de Madrid. O Ibex valorizou 0,23% para 8.877,1 pontos.

De Espanha vêm notícias de negócios muito interessantes. As cúpulas da Unicaja e Liberbank chegam a um consenso para sua fusão, diz o El País. O consenso alcançado até agora refere-se ao Conselho de Administração, ao corte acordado nos custos e ao montante necessário para o aumento de capital. A Unicaja terá a maioria do capital da entidade resultante da fusão, com cerca de 60% das ações, embora esse valor possa variar em dois a três pontos percentuais.

O Santander vendeu uma carteira de malparado do Popular no montante de 600 milhões de euros, conta o El Confidencial.

Em termos macroeconómicos, destaque para o facto de, segundo o INE, em 2018, o Índice de Preços no Consumidor em Portugal ter registado uma taxa de variação média de 1,0% (1,4% no ano anterior). Excluindo do IPC a energia e os bens alimentares não transformados, a taxa de variação média situou-se em 0,7% em 2018 (1,1% no ano anterior).

O petróleo está em queda. Com o Brent a deslizar 1,6% para 51,75 dólares e o WTI a perder 1,62% para 60,68 dólares.

No mercado de dívida pública, a dívida alemã está a cair 1,6 pontos base para 0,239%. A dívida portuguesa desce 1,1 pontos base para 1,705%. Espanha  também com os juros a melhorarem (-0,6 pontos base para 1,445%) e Itália com os juros a caírem 3,4 pontos base para 2,854%.

O euro cai face ao dólar. São precisos agora 1,1485 dólares para comprar um euro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA caiu para 1,9% em dezembro, de acordo com dados publicados nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA, o que tem impacto no dólar.

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