Bons ventos e mais casamentos em 2018

Com 2017 a revelar-se um ano muito positivo e de franco crescimento para o mercado de Fusões e Aquisições em Portugal, durante o qual o setor do imobiliário liderou o ranking destas operações, entramos no novo ano com altas expectativas sobre a sua evolução. Com um dinamismo que se estende a setores como os serviços, distribuição, construção, telecomunicações e tecnologia, importa aferir a tendência de evolução e que setores se revelam mais promissores.

A tendência da evolução para 2018 afigura-se no sentido da continuidade do crescimento, expectativa que se espera concretizar dado o comportamento padrão que os players dos mercados relevantes têm vindo a adotar ao longo dos últimos anos e as circunstâncias que têm favorecido o investimento estrangeiro em Portugal.

Podemos afirmar que esse percurso sustentado tem sido favorecido pela cada vez maior preparação revelada pelos intervenientes nestes mercados para acolher o crescente dinamismo dos mais variados setores.

São de destacar algumas premissas e circunstâncias determinantes nesse crescimento que se manterão, expectavelmente, ao longo de 2018, como a estabilidade política, o clima de paz social e de segurança, o baixo custo do dinheiro e das taxas de juro, a mão-de-obra qualificada e de baixo custo por comparação com a homóloga da UE, a considerável liquidez existente, o dinamismo do private equity, a consolidação da recuperação económica do Pais, reconhecida pelas instituições comunitárias e agências financeiras internacionais, que facilitam e incentivam naturalmente a confiança dos mercados e dos investidores estrangeiros em Portugal e nas empresas portuguesas, nomeadamente como mercado vendedor, como é o caso da nossa vizinha Espanha e da França.

Tudo leva a crer que os setores mais promissores continuarão a ser, desde logo, o imobiliário e o turismo, mas também outros se poderão consolidar e até surpreender positivamente.

Não espantará assim que os setores da construção, tecnológico (incluindo internet) e também as denominadas fintech (note-se as crescentes oportunidades de e-commerce e a entrada em vigor da nova Diretiva dos Serviços de Pagamentos) sejam aqueles onde residem expectativas no sentido de um incremento relevante. O setor financeiro e a banca, com provas dadas nas relevantes transações recentemente concretizadas, poderão prosseguir o seu movimento de recuperação, constituindo um fator de alavancagem dos mercados.

De acordo com os mais recentes números publicados, o mercado de fusões e aquisições em Portugal continua em ascensão, apresentando em 2018, pelo segundo mês consecutivo, um aumento considerável no valor total movimentado em relação ao período homólogo do ano transato. No entanto, sendo os mercados particularmente concorrenciais e sensíveis a alterações do clima favorável que vivemos, dever-se-á assegurar também uma estabilidade jurídica, motivando os players nos mercados, designadamente ao nível da legislação fiscal e laboral.

Só assim manteremos bons ventos e mais casamentos em 2018.