Boris Johnson vs Câmara dos Comuns. Novo ’round’ para marcar eleições antecipadas

Boris Johnson necessita dos votos de dois terços dos deputados (434 em 650) para encurtar uma legislatura que deveria ir até 2022. Apesar de o Partido de Jeremy Corbyn ser apoiante de novas eleições, convencer a bancada a votar a favor não vai ser tarefa fácil.

A sessão parlamentar desta tarde está agendada para as 15h30 na Câmara dos Comuns e tudo indica que esta será mais uma audiência decisiva para Boris Johnson.

O primeiro-ministro britânico vai tentar pela terceira vez marcar eleições antecipadas a realizar ainda este ano. A data inicial apontava para 12 de dezembro, prevendo já ter nessa altura o acordo do Brexit aprovado, mas o primeiro-ministro está disposto a convocá-las para 9 do mesmo mês e deixar o acordo para mais tarde se for esse o preço para obter apoios junto da oposição para ir a votos.

Mas a tarefa não será fácil. Ao abrigo da Lei dos Mandatos Parlamentares Fixos, Boris Johnson necessita dos votos de dois terços dos deputados (434 em 650) para encurtar uma legislatura que deveria ir até 2022. Com o Partido Conservador sem maioria absoluta (288 assentos), o primeiro-ministro terá que piscar o olho aos trabalhistas. Tudo indica que haverá deputados dessa formação inclinados a aceitar a proposta, mas é improvável que sejam em número suficiente e a orientação de voto da direção deverá ser contra ou abstenção.

Falhar a maioria ou perder as eleições caso fossem convocadas, deitaria por terra os seus planos para o Brexit e vê-lo-ia deixar Downing Street após um dos mandatos mais curtos da história. As sondagens e a conhecida capacidade de Johnson em campanha afastam, para já, tais receios.

De acordo com o The Guardian, se Boris Johnson não conseguir a maioria de dois terços para desencadear uma eleição antecipada sob a Lei de Parlamentos com Prazo Fixo, apresentará uma proposta muito semelhante amanhã. Durante uma conferência de imprensa esta manhã, os jornalistas e editores de política da BBC, ITV e Sky avançaram com a notícia.

Bruxelas dá ‘luz verde’ a Londres

Esta manhã, o presidente do Conselho Europeu anunciou a decisão que os 27 concordaram em adiar o Brexit até ao dia 31 de janeiro de 2020. Este será o segundo adiamento do prazo para o Brexit concedido pela União Europeia ao Reino Unido, depois do alargamento da data inicialmente fixada, 29 de março de 2019, para 31 de outubro de 2019.

Após a formalização por escrito, o Reino Unido terá, assim, mais três meses para fechar um acordo interno de forma a concluir com a União Europeia um acordo de saída.

Ler mais
Relacionadas

Emigração britânica atinge máximos de 10 anos. Pedidos de nacionalidade disparam 628%

Apesar deste ritmo crescente já se ter verificado entre 2010 e 2016, os autores do estudo sublinham que esta tendência acelerou depois de em junho de 2016, a maioria dos eleitores britânicos terem decidido a saída do Reino Unido do bloco europeu.

União Europeia concorda com adiamento do Brexit até 31 de janeiro de 2020

A confirmação foi dada esta segunda-feira pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

PremiumSaída do Reino Unido traz riscos, mas também oportunidades

Escalada protecionista pode trazer tarifas ao comércio de automóveis. Por outro lado, a relocalização de investimentos teria o condão de pôr Portugal no mapa.
Recomendadas

“Orçamento do Estado? Não estou preocupado com a passagem”, garante Marcelo

Uma vez que “até chegar a Belém ainda demora tempo”, o Presidente da República reiterou o que tem dito “desde o início”: “eu não estou preocupado com a passagem do Orçamento do Estado”.

Alargamento e Brexit serão as prioridades da presidência croata da União Europeia

A situação dos países dos Balcãs ocidentais que pretendem juntar-se ao bloco comunitário vai constituir outro desafio para a presidência croata.

PremiumBrexit deixará cicatrizes profundas no Reino Unido?

Não há forma de o Brexit não deixar marcas profundas no Reino Unido.
Comentários