Brasil vacinou 45 mil venezuelanos que entraram no país pela fronteira

O ministro da Saúde do Brasil, Gilberto Occhi, anunciou hoje que o país vacinou 45 mil venezuelanos que entraram na fronteira pelo estado de Roraima até meados de junho.

“Temos aproximadamente, até junho, cerca de 45 mil pessoas venezuelanas vacinadas no Brasil. Isto é um quantitativo do início deste ano quando houve uma entrada maior destas pessoas da Venezuela”, disse o ministro, numa conferência com jornalistas estrangeiros.

“Hoje a obrigatoriedade de vacinação é para todos aqueles que pedem abrigo no Brasil. Aqueles que pedem passagem ou visto de turista e não precisam do apoio social do Brasil não são obrigados a vacinarem-se”, acrescentou.

O ministro brasileiro afirmou, porém, que com o aumento de casos de sarampo e possibilidade da entrada de novas epidemias o país estuda passar a exigir vacinação de todos os venezuelanos que entrem na fronteira pelo estado de Roraima.

“Estamos em negociação com o Ministério da Justiça, a advocacia-Geral da União e outros órgãos do Governo brasileiro para ver se haverá uma condição de exigir vacinação [dos venezuelanos] que entrarem no Brasil. Ainda não há nada decidido”, explicou.

“Como Ministério da Saúde entendemos que devido a esta intensidade de pessoas que estão entrando, e pela falta de um programa de vacinação robusto na Venezuela, temos que ter uma preocupação”, completou.

O representante do Governo brasileiro também informou que não tem tido apoio efetivo dos órgãos de saúde da Venezuela.

Segundo a equipa do Ministério da Saúde brasileiro, o país não tem sequer dados exatos sobre a cobertura vacinal da Venezuela ou sobre números de casos de sarampo, febre amarela e difteria ou outras epidemias com casos registados no país vizinho.

“Nós não tivemos nenhum tipo de apoio da Venezuela, pelo contrário, o Brasil ofereceu apoio ao Governo venezuelano para que pudéssemos ajudá-lo com algum tipo de vacina. Da parte da Venezuela, o Brasil não recebeu nada”, afirmou.

Quanto à população indígena que vive na fronteira destes dois país e, que segundo organizações como a Survival International, correm grave risco de extermínio com o avanço do sarampo, já que têm baixa imunidade, o Governo brasileiro disse que tem atuado para os proteger.

“O Brasil tem uma política especial voltada para esta população. Os índios venezuelanos da tribo Warao estão a ser abrigados em lugares diferentes das demais populações da Venezuela que pediram abrigo no Brasil. Eles estão sendo tratados e vacinados”, frisou Gilberto Occhi.

Já Carla Domingues, coordenadora do programa nacional de imunizações do Ministério da Saúde, acrescentou que o “Brasil já tem uma política de vacinação para população indígena há muitos anos com um calendário especial que é acompanhado pela Secretaria de Saúde do Índio”.

Segundo a responsável, os índios que são isolados, ou seja, que não têm contacto com a população urbana porque vivem de forma natural nas florestas da região, não correm o risco de se infectarem por sarampo porque a transmissão desta doença ocorre pelo contacto de pessoa para pessoa.

“Estamos a monitorizar estas tribos [isoladas] à distância e se houver risco de qualquer doença temos uma frente para atender”, concluiu.