Brexit afeta Gibraltar: Reino Unido e Espanha de ‘costas voltadas’

Reino Unido vai proteger “até ao fim” aos interesses de Gibraltar, que durante o referendo de 2002, deixou claro, com um total de 99% dos votos, que não querem uma soberania partilhada entre Madrid e Londres.

Stefan Wermuth/REUTERS

Depois de o Reino Unido ter acionado o artigo 50º do Tratado Europeu, que dá início ao processo de saída da União Europeia (UE), a população de Gibraltar indica que “quer continuar a ser britânica” e rejeita a ideia de Bruxelas de que as futuras decisões sobre o território ultramarino britânico tenham de passar por Espanha. O Governo britânico de Theresa May sublinha que está “empenhado” em garantir que Gibraltar não fique sobre “a soberania de outro Estado contra os seus desejos” e que gibraltinos tenham voz ativa na consolidação do Brexit.

A polémica em torno de Gibraltar levantou-se depois de num documento da União Europeia divulgado na sexta-feira constar que “depois de o Reino Unido deixar a União, nenhum acordo entre a UE e o Reino Unido pode aplicar-se ao território de Gibraltar sem que seja alcançado um acordo entre o reino de Espanha e o Reino Unido”.

Ora a medida decretada por Bruxelas não foi bem recebida por Gibraltar, que considera que a soberania do território, situado no sul de Espanha e reivindicado há 300 anos pelos espanhóis, não está aberta a discussão e que é vontade dos gibraltinos continuar sob protetorado do Reino Unido. O ministro-chefe do governo regional de Gibraltar, Fabian Picardo acusa ainda a Espanha de estar a tentar manipular o Conselho Europeu para conseguir um maior controlo sobre Gibraltar.

“Que fique bem claro e que a mensagem chegue a Madrid, a Bruxelas e a todas as outras capitais da União Europeia: Gibraltar não é uma moeda de troca nestas negociações”, sublinhou Fabian Picardo, este domingo. “Gibraltar pertence aos gibraltinos e nós queremos continuar a ser britânicos”.

O ministro da Defesa do Reino Unido, Michael Fallon, garante que o Reino Unido vai proteger “até ao fim” aos interesses de Gibraltar, que durante o referendo de 2002, deixaram claro, com um total de 99% dos votos, que não querem uma soberania partilhada entre Madrid e Londres.

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