Brexit: Theresa May dramatiza votação de amanhã na Câmara dos Comuns

A primeira-ministra britânica afirmou que a recusa do acordo com a União Europeia seria uma “quebra de confiança catastrófica e imperdoável”.

Parliament TV handout via REUTERS

O fim-de-semana passado serviu para que os dois lados britânicos do Brexit – o que apoia o acordo firmado pela primeira-ministra e o que prefere uma saída sem (aquele) acordo – dramatizarem a votação que ocorrerá amanhã na Câmara dos Comuns e Theresa May não se coibiu de dizer que seria uma “quebra de confiança catastrófica e imperdoável” se os deputados conservadores votarem contra as suas propostas na terça-feira.

Apesar disso – e do facto de todos considerarem que o acordo será votado desfavoravelmente – o executivo de Theresa May recusa adiantar qual será o seu plano se uma maioria de deputados votar contra. Apesar da enorme insistência da comunicação social britânica em torno da matéria e tendo por alvo vários ministros, o certo é que o governo insiste que o foco está em convencer os deputados a aceitar o acordo.

A insistência resulta do facto de May ter deixado passar a ideia de que tem um plano B para o caso de o acordo ser recusado pelo Parlamento, mas não há qualquer indicação de quais são as linhas dessa alternativa.

Do outro lado, do lado dos trabalhistas, o futuro imediato parece estar mais delineado: Jeremy Corbin deverá, se o acordo for recusado, avançar de imediato para uma moção de censura ao governo e pedir novamente a convocação de eleições antecipadas. May já disse que não lhe fará a vontade e insistiu em que os trabalhistas não têm qualquer alternativa ao acordo que a primeira-ministra concluiu com a União Europeia.

Corbin chegou a dizer no fim-de-semana que quer mais tempo para concluir outro acordo com a União, mas essa vontade choca contra a vontade da Comissão em não reabrir o processo: os 27 não vão dar mais tempo ao Reino Unido – ou essa é, pelo menos, a postura que o agregado tem mantido face à crise britânica em torno do Brexit.

Theresa May escreveu um artigo para o jornal ‘Sunday Express’ onde afirmou que a Câmara dos Comuns enfrenta a “maior e mais importante decisão da nossa geração“ e recordou que “o povo britânico votou para sair da União. Nós não podemos – e não devemos – esquecer isso”.

A primeira-ministra recorda que uma saída sem acordo seria a antítese do que os britânicos estão à espera que se passe: “fazer isso seria uma violação catastrófica e imperdoável da confiança na nossa democracia. Portanto, a minha mensagem ao parlamento neste fim-de-semana é simples: é hora de esquecer os jogos e fazer o que está certo para o nosso país

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