Brexit: Theresa May em viagem inconclusiva a Bruxelas

A primeira-ministra não foi convidada para um jantar com os restante membros da União, onde o prato forte era (para além do rodovalho cozido em cerveja branca) a eventualidade do alargamento do período de transição até dezembro de 2021.

Mais uma reunião entre a primeira-ministra Theresa May e o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker e mais um adiamento de um compromisso que possa convencer as duas partes a evoluírem para um compromisso comum, o chamado Brexit com acordo.

A primeira-ministra britânica foi esta quarta-feira a Bruxelas para um encontrou com os responsáveis dos restantes países da União Europeia, mas no final do encontro Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, afirmava aos jornalistas que nenhum progresso concreto havia sido conseguido.

“Não houve nenhuma mudança no conteúdo” das propostas de Theresa May, disse, citado por vários meios de comunicação, o que é o mesmo que dizer que o acordo continua bloqueado por causa, principalmente, por causa da questão da fronteira entre as duas Irlandas – uma que se mantém na União Europeia, outra que faz parte do agregado do Reino Unido e por isso está de saída.

A última esperança é que todos os países, os 28, assumam que o melhor é ‘empurrar’ o problema para a frente. Ou, dito de outra forma, a única saída é que todos concordem com um período de transição mais alargado, dezembro de 2021 em vez de dezembro de 2020, período durante o qual é sempre possível que alguém tenha uma ideia brilhante que permita resolver o impasse.

Isso mesmo foi discutido durante um jantar a 27 na noite de ontem – Teresa May não foi convidada e permaneceu na residência oficial do Embaixador do Reino Unido em Bruxelas – e nas reuniões subsequentes, sem que houvesse qualquer indicação de que um passo nesse sentido vai ser dado. Ou não.

Segundo avançava o jornal inglês The Guardian – que ontem fazia uma reportagem ao minuto da reunião de Bruxelas – Theresa May terá dito aos representantes dos outros países da União que ponderaria a extensão do período de transição até dezembro de 2021, o que é portanto á única ‘tábua de salvação’ para um Brexit com acordo.

Como sempre, o problema de May é caseiro: o núcleo duto do Brexit – que quer sair da União Europeia a qualquer preço, já disse que a extensão do período de transição é uma concessão inaceitável a Bruxelas e que, se isso acontecer, será o fim dos créditos do governo de Theresa May.

Os representantes da União reunidos em Bruxelas sabem disso perfeitamente e está nas suas mãos, portanto, aliviar a pressão sobre a primeira-ministra britânica ou, permanecendo inertes nas suas posições, lançarem Theresa May nas mãos dos ‘lobos’ do seu próprio partido.

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