Brisa admite criação de fundo de investimento em startups

Bruno Tavares, responsável de aceleração da Brisa – Autoestradas de Portugal, disse ao Jornal Económico que a empresa está a trabalhar com um projeto “potencialmente disruptivo” relacionado com blockchain. Fomos conhecer o acolhedor (e acelerador) espaço da ‘Grow Mobilty’, a rampa de lançamento de startups como a We Park.

A Brisa – Autoestradas de Portugal admite a criação de fundo de investimento de capital de risco para apoiar startups, disse ao Jornal Económico Bruno Tavares, startup program manager & business accelerator da empresa. Caso a aceleradora Grow Mobility cresça, esse é um dos planos futuros. “A médio prazo sim, ou investir diretamente nas startups”, explicou o porta-voz do programa.

A operadora de infraestruturas de transportes garante que oferece acesso ao mercado da Brisa e aconselhamento e, por outro lado, procura acesso à inovação, com startups disruptivas dentro do ecossistema em que se insere [mobilidade, smart cities, infraestruturas rodoviárias]. Ao dar gás a iniciativas prematuras na área da mobilidade, pretende também apoiar a economia nacional.

“Não estamos no negócio de ganhar dinheiro com startups (…). Somos uma aceleradora, mas estamos disponíveis para fazer pequenos investimentos minoritários, deixando a empresa crescer por ela e sem a abafar. Procuramos startups inovadoras, que pensem em grande e com um modelo de negócio que possa irromper o nosso – o que não é fácil”, adiantou o mesmo responsável.

No período de 2017/2018, 218 microempresas procuraram a Brisa, oriundas dos programas de captação promovidos, do próprio website do Grow Mobility, das universidades, da Web Summit, entre outros meios. Dessas duas centenas, há uma com probabilidade de celebrarem contrato direto, cinco selecionadas para field tests e 57 na qual a operadora está de ‘olhos postos’ e analisar de que forma poderá ou não trabalhar com as mesmas.

“Gostaríamos de receber mais candidaturas nesta área, embora seja uma área já com muita gente, mesmo que não pareça. Há muitos [projetos] ‘mais do mesmo’. Surgem-nos mais de otimização de infraestruturas, como drones, mas há um com o qual estamos a trabalhar que é potencialmente disruptivo, com blockchain”, contou Bruno Tavares, reforçando a ideia de que recebem “startups de qualidade”. “Não temos startups só por ter”, acrescentou, em declarações ao semanário.

No universo do grupo José de Mello, há 31 mentores disponíveis para ajudar startups com o conhecimento que possuem nas mais diversas valências, sendo que 13 destes são da Brisa e os restantes das outras empresas do grupo. “Acaba por ser uma mudança cultural. As startups com outra forma de pensar, ao virem trabalhar connosco, também é bom para nós”, diz.

Há cerca de três anos, a Brisa deu o ‘salto’ no negócio enquanto operadora de transportes para serviços de mobilidade, passando “do carro para as pessoas” e arrancando, em 2015, com a atribuição de um prémio para ideias ligadas à mobilidade.

O Grow Mobility tem ajudado a abrir portas a parceiros para startups como a We Park, cujas fundadoras se deslocam àquele espaço algumas vezes por semana. Apesar de terem ganho prémio Brisa Mobilidade 2017, no âmbito do concurso Acredita Portugal do Montepio Geral, as jovens tinham o business model pouco estruturado, pelo que a empresa foi o motor de arranque para esta microempresa. “O que gostaríamos agora era que conseguissem financiamento de alguém exterior a nós, porque o nosso papel é o de aceleração”, referiu Bruno Tavares, que conta ainda com José Maria Manoel e Eduardo Ramos na equipa de aceleração.