Bruxelas: Portugal deixa de ser monitorizado por desequilíbrios macroeconómicos excessivos

Na apresentação do Pacote de Inverno do Semestre Europeu, Valdis Dombrovskis referiu que há “boas notícias” para quatro Estados-membros. Portugal, Bulgária e França passaram à categoria acima, enquanto a Eslovénia saltou dois patamares.

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Portugal está entre os países que vão deixar de ser monitorizados de perto devido aos desequilíbrios macroeconómicos excessivos pela Comissão Europeia, segundo anunciou esta quarta-feira o vice-presidente da instituição. Na apresentação do Pacote de Inverno do Semestre Europeu, Valdis Dombrovskis referiu que há “boas notícias” para quatro Estados-membros.

Na visão de Bruxelas, Portugal, Bulgária e França mostraram uma diminuição dos desequilíbrios no ano passado, enquanto a Eslovénia já não tem desequilíbrios excessivos. O grupo dos desequilíbrios excessivos fica agora composto por Croácia, Chipre e Itália. A Grécia fica de fora da análise já que os desequilíbrios macroeconómicos estão a ser monitorizados no quadro do programa de ajustamento em curso.

“Em Portugal, a retoma acelerou no ano passado com impacto no desemprego, que está agora abaixo da média europeia”, afirmou o Comissário Europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, na conferência de imprensa partilhada pelos dois responsáveis europeus.

“Há progressos muito substanciais em Portugal, na tendência que o país segue, mas ainda há esforços a fazer. Portugal continua em desequilíbrio”, disse, no entanto, Moscovici. O comissário afirmou que são ainda necessárias “reformas ambiciosas e pormenorizadas” no país, sublinhando que a dívida está a diminuir e a redução do crédito malparado deve continuar uma prioridade.

Na primavera do ano passado, Bruxelas identificou desequilíbrios macroeconómicos excessivos, em particular o elevado endividamento público e privado, as vulnerabilidade do setor bancário e a fraca produtividade do mercado de trabalho, acompanhado de ainda elevado desemprego de longa duração.

A subida de Portugal à categoria de desequilíbrios macroeconómicos (retirando-se a parte do excessivos) revela mais otimismo de Bruxelas em relação ao país. O relatório nacional será discutido com o Governo, Parlamento, parceiros sociais, autoridades regionais e locais e organizações, sendo que, em maio, a Comissão volta a emitir recomendações específicas a cada país.

Sobre toda a zona euro, a Comissão Europeia considerou, no relatório conhecido esta quarta-feira, que a economia expandiu de forma robusta, acompanhada de melhorias no mercado de trabalho e na situação social. O outlook continua, por isso, favorável. O comissário europeu acrescentou que o momento deve ser aproveitado para reforçar as fundações das economias da moeda única.

Dívida, produtividade e desigualdade: os desafios que Bruxelas vê para Portugal

[Em atualização]

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